segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O ciclo interminavel das dietas mal sucedidas


La vamos nós, mais uma vez, enfrentar com muito temor ela, a balança. Relutamos alguns segundos antes de colocar o primeiro pé, fechamos os olhos, tapamos a visibilidade dos ponteiros para que ninguém ao redor constate junto a você seu sobre- peso catastrófico (pelo menos é assim que vemos sempre), e sim, ali estão eles, os numerozinhos que não deviam estar, 2, 5, 8 quilos a mais, verdadeiros ou simplesmente psicológicos, independendo disso, é como um balde de água fria. Descemos da maldita  como se acabássemos de olhar nossa conta bancaria e descobríssemos que haviam roubado economias de uma vida, ou como se tivéssemos acabado de ver ali no visor uma foto do nosso namorado na cama com outra: Desesperadas, frustradas, destruídas interiormente - e com uma vontade incontrolável de destruir tudo, também.
 Na volta para casa após o trágico encontro com os números que não deviam existir, vamos nós escondendo, não queremos encontrar ninguém conhecido, para que o mesmo não comente pra todos os seus outros conhecidos o quanto você está obesa, feia e abatida. O resto do dia tende a ser assim, às escuras e triste.
 O que fazer dai pra frente normalmente depende de que dia da semana subimos na balança. Se for uma sexta-feira, por exemplo, provavelmente tiraremos o sábado e o domingo para nós “consolar”, comer tudo o que gostamos (ganhar mais uns desagradáveis excedentes) e começar a tal dieta na segunda-feira. Ai é que se instala o perigo. Essa promessa de que “hoje eu vou me despedir de tudo o que eu amo, e amanhã eu vou começar a despedida pelo corpo não-desejado” é um buraco sem fundo. Se paramos pra contar quantas vezes no mês fazemos, religiosamente, o mesmo procedimento, iríamos ficar tristes nos matar, provavelmente.
 Mas tudo bem, digamos que de fato começamos  na segunda-feira, e o dia parece iluminado. Acordamos com a disposição de um super-heroi, comemos folha e suco no café da manhã, mais folha no almoço, sopinha de verduras no jantar. No final da noite nós sentimos já mais magra, poderosa e linda. Fazemos mil planos da roupinha que vamos comprar quando diminuirmos de manequim. Do que vamos mudar juntamente com o corpo. Eu por exemplo, sempre mudo meu cabelo. É a tentativa de dar aquele tapa geral na auto- estima sequelada, sabecomé?
 O problema é que o primeiro dia de corte calóricos é muito bom, o segundo até que vai, mas a partir do terceiro, você já passa a ruminar pra conseguir engolir aquela quantidade excessiva de folhar, e tapa o nariz pra comer tanta coisa sem gosto algum. Normalmente é ai que começamos a sonhar com um pote de dois litros de sorvete, e nos piores dos casos que já passei, vi um top sunday dançando lambada com uma fatia de pizza gigante na beira da minha cama. Ainda prefiro acreditar que estava sonhando.
 Quinta-feira. Após 3 dias difíceis de cortes alimentar, se aproxima o temido fim de semana, inimigo de qualquer tentativa de reeducação de peso. Começam a aparecer os convites para os rodízios, cinemas, bares e todos esses inimigos mortais das gordinhas. Na maioria das vezes temos total consciência de que jogar a responsabilidade na força de vontade e ir, é uma corda no pescoço. Talvez prefiramos fingir que acreditamos mesmo que ela (a força de vontade) vai ser forte o suficiente e resistir a uma, duas ou três rodadas de petiscos suculentos na mesa de bar, a cervejinha e o refrigerante, e preferir o suco sem açúcar. Mas a verdade é que quase nunca acreditamos a fundo na sua capacidade, e vamos consciente de que a dieta re-começa na próxima segunda-feira, onde estaremos, provavelmente, com alguns quilos a mais do que na segunda passada.