terça-feira, 21 de dezembro de 2010

A ausência.

A verdade é que tenho andando cheias de ausências, mesmo que evite quase sempre de admiti-las....
Ausências de alguém do lado nas filas imensas que enfrento no banco.
Ausência de alguém pra ficar deitado nos domingos intermináveis.
Ausência de ligações infundadas no meio da madrugada pra dar um boa noite.
ausência de uma voz que me faça estremecer e nem ligar por ser acordada;
de um sorriso que rime com o meu como musica, e que, automaticamente, sorrindo, me faça sorrir também.
Ausência de esperas. De frios na barriga e de duvidas gostosas.
ausências do querer, do lutar, do buscar, do conquistar.
ausência de dedos, de encaixes, de mãos suadas, mas ainda assim, inseparáveis.
ausências de pés nos pés, de beijo na ponta do nariz e de abraços com mais de 30 segundos
Ausência de esperas, de contagem regressiva, de saudade, de vindas e partidas.
Ausência das horas na frente do espelho, do desperdiço de pó compacto e batom que logo será retirado.
Ausência dos cinemas no fim da tarde e da pipoca no sofá de casa.
Ausência de fotos felizes. De ver o amor estampado e congelado, fingindo ser eterno.
ausência de medo de perder. De cuidado. De palavras verdadeiras, sentimentos e reciprocidades.
Ausência de sentir. Sentir algo mais, algo que dê aos meus dias um gosto a mais de acordar e pentear o cabelo animada.

São tantas ausências que me obrigo a parar. Antes que não consiga parar nunca mais de citar...
Antes que eu não consiga parar nunca mais de sentir essa ausência do sentir.




segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

As dores e os desencontros valem apena quando achamos a felicidade.

se apaixonar....Sentimento que cedo ou tarde bate a porta até do mais duro dos corações, na verdade nunca vem sem avisar. É como doença, que manda mensagens pouco significativa, tipo o parente distante, que envia uma carta pequena avisando da provavel chegada, normalmente ignorada pelo receptor. E quando chega, sente-se despreparado para receber, confuso e atordoado. Não sabe o que se passa, ou finge, por que a verdade é que todos sabemos bem como tudo acontece, as mudanças climaticas no estomago, e a alternância frequênte dos ritmos cardiacos. Os sorrisos largos pré encontro, mesmo que esse encontro não seja necessariamente a dois. Aquelas falas decoradas na frente do espelho, e o sentimento de volta a 2ª serie, sabe? O medo de fazer tudo errado, e muitas vezes, o fazer tudo errado. As mãos que tremem a presença, a anciedade pela chegada, a tristeza pela partida, a espera pela volta. A graça que tudo e todos ao redor parece perder. Os olhos que so vêem a frente uma unica possibilidade: Ele/ela. Mas apesar de tudo isso ser quase universal e de passarmos por tal situação centenas de vezes em vida, ainda é dificil admitir, realmente, estar apaixonado.
 Na verdade, não entendo o sentido em negar e renegar um sentimento tão bem vindo, lindo, que enche de cores o amanhecer de qualquer um. Exeto pelo fato do medo da não reciprocidade, que convenhamos, sem querer ser pouco otimista, tem indices altissimos. O desencontro é frequente, e parece que bem mais comum do que o encontro de dedos e planos. Esse fato comprovado deixa algo tão especial a beira de ultrapassar a linha que divide o lindo do tenebroso. Nunca se sabe se deve-se ficar feliz com as borboletas, ou sair correndo pra bem longe.
 As vezes me pego tentando entender que fator biológico, social ou seja la o que for, explica o nivel elevadissimo de rejeição da paixão pelo seu alvo de desejo. É nessa hora que se enquadra perfeitamente o poema de Carlos Drummond que diz "João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amavaJoaquim que amava Lili que não amava ninguém." . E dizem por ai, que feliz era Lili, que era amada e não sofria. 
Mas devo descordar. Não em numero genero e grau, já que desconheço até hoje uma dor maior do que ver seu alvo de desejo desejando outra pessoa. Mas não posso considerar feliz aquele que tem o poder e o azar de não amar ninguém. Amar é maguico, necessario e unico. Vivemos uma vida esperando um amor. Sorte aqueles que o acham, mesmo que nos enrolemos milhares de vezes nos nós cegos dessa busca, e nós deparemos com milhares de rejeições e desencontro. Milhares de noites mal dormidas e lagrimas no travesseiro. Milhares de semanas de cara enchada achando que o mundo não faz sentido algum...Para que possamos descobrir mais a frente que faz, e que outra pessoa virá, talvez para virar tudo de ponta a cabeça mais uma vez, mas uma hora, a certa chega, os olhares se encontram, e ai sim podemos dizer que finalmente fomos felizes de verdade, pelo menos enquanto o tempo e a vida nós permitir... Seja esse tempo longo ou curto, o que importa é saber aproveitar cada segundo de recompensa pela árdua espera que Deus te deu.





Uma triste realidade

H: - Oi.
M: - Oi.
H: - Eu estava te olhando de longe… Você vem sempre aqui?
M: - Só quando eu estou com vontade de fazer xixi. Quem te deixou entrar no banheiro das mulheres?

H: - Entrei escondido queria falar com você.
M: - Não podia esperar eu terminar primeiro?
H: - É que eu sou muito ansioso…Não é sempre que se encontra a mulher da nossa vida numa festa de formatura.
M: - Mulher da vida de quem?
H: - Da minha vida.
M: - Que espécie de maluco é você?
H: - O homem da sua vida!
M: - Como é que é?
H: - Sou o cara que nasceu pra casar e ter filhos com você.
M: - Essa é a sua melhor cantada?
H: - É sério… vamos conversar.
M: - Quer fazer o favor de fechar essa porta? Eu ainda não terminei.
H: - Desculpe. Um homem sabe quando avistou a mulher ideal. Geralmente ela é bonita, sexy, tem gostos refinados e inteligência suficiente para ignorar suas gracinhas. É fina, detesta vulgaridades.
M: - Me deixa vomitar em paz?
H: - Achei que você só estivesse apertada.
M: - O que eu faço no banheiro não é da sua conta.
H: - Eu me importo com você.
M: - Socorro, tem um homem aqui dentro.
H: - Psiuuuuu, não grita, eu só quero saber seu nome.
M: - Eu to bêbada demais pra saber meu nome.
H: - Também estou um pouco tonto, confesso. Viu como a gente combina?
M: - Sai daqui e fecha essa porta antes que eu te jogue esse balde de lixo na cabeça.
H: - Algumas pessoas passam a vida toda procurando por um amor perfeito. Alguém que te complete e ajude no que for preciso, faça companhia em todos os momentos.
M: - Cara, como você é chato.

H: - Melhorou?
M: - Não acredito que você me assistiu fazendo aquilo.
H: - Foi a coisa mais linda que eu já vi.
M: - Acorda, seu idiota. Eu botei um pão de batata pra fora.
H: - Eu também adoro pão de batata com tequila.
M: - Espirrou em você, seu porco.
H: - Eu não ligo. Seu vômito é o meu vômito.

M: - O que eu fiz pra merecer um maluco desses atrás de mim?
H: - Tem coisas que só o destino pode explicar.
M: - De que planeta você veio? Larga do meu pé, chulé.
H: - Só você não percebeu que isso tudo não foi por acaso.
M: - Você me seguiu, eu pedi ajuda, ninguém te tirou do banheiro, eu te dei um banho de bolo de chocolate e cerveja.

H: - Nosso primeiro encontro…
M: - Nada disso é um encontro. Sai da minha frente.
H: - Não posso abandonar a mulher da minha vida.
M: - Que papo é esse? Deixa-me ver o que colocaram no seu whisky?
H: - É sério, nunca ouviu falar nisso?
M: - Whisky com bolinha alucinógena? É claro que sim. Nunca aceite o copo de um estranho.
H: - Nós somos o casal ideal. Nascemos um pro outro. Sabe quais são as chances disso acontecer numa festa de formatura? Uma em cada 150 milhões.
M: - Bem menores do que as chances de eu te dar uma porrada.
H: - Você não faria isso com seu futuro marido.
M: - Vamos do começo… Um: eu já tenho namorado. Dois: você não faz meu tipo. Três: isso não é uma festa de formatura. É a festa de 15 anos da Maria de Fátima. O segredo da relação perfeita está na identificação de sua alma gêmea. Geralmente ela é loira, alta e tem um piercing no nariz. Pode também não ser nada disso. Não importa. O grande lance é perceber se essa alma combina com a sua, tem gostos iguais, beijo bom e, de preferência,um cabelo sem gel.

H: - Quer apostar que nós nascemos um pro outro?
M: - Ridículo… vou ficar com peso na consciência.
H: - Por que não tenta? Fala uma cor.
M: - Preto.
H: - A ausência de todas as cores… A minha preferida também.
M: - Que bobagem.
H: - Um filme?
M: - “101 Dálmatas”.
H: - O mesmo que o meu… Quer prova mais definitiva?
M: - Eu nunca vi esse filme na minha vida.
H: - Roubar não vale.
M - Que papinho mais furado… Se toca, eu não fui com a sua cara.
H: - Última chance. Fala uma música.
M: - Ai que saco… Qualquer uma do Daniel.
H: - Daniel? Tem certeza?
M: - Absoluta.
H: - Então você tem razão… minha mulher ideal não gosta de música sertaneja.
M: - É mesmo? E que som ela curte?
H: - Rock, alguma coisa de Jazz… dependendo do dia, MPB.
M: - O que tem de errado com Leandro e Leonardo, KLB, é o Tchan?

H: - Nada, só não é mulher pra mim. De qualquer forma, foi um prazer. Todo mundo erra. Quem nunca pensou ter encontrado o grande amor e depois descobriu que ele roncava, tinha caspa e não era muito chegado a banho no inverno? Se fosse fácil não teria graça. O importante é não desanimar, e não foi dessa vez, partir pra outra. Tente declamar seu poema predileto em praça pública e espere alguém completá-lo. Se ninguém se manifestar, saia correndo. Podem ter chamado a polícia.
M: - Espera.
H: - O que foi?
M: - Eu também gosto de MPB. Minha mãe ouve Chico Buarque o dia inteiro. Tecnicamente, se eu estou em casa, também ouço.
H: - Não sei… Acho que foi um engano.
M: - Como você pode saber?
H: - Olhando bem..você é mais alta do que eu imaginava. A mulher da minha vida tem 1,60 de altura. Foi um prazer.
M: - Espera, eu estou de salto. Olha só… fiquei mais baixa.
H: - Você não tem nada a ver comigo.
M: - Tenho sim.
H: - Que interesse repentino pela minha pessoa… Até um minuto atrás você queria que eu fosse embora.
M: - Também não sei o que me deu.
H: - Você tomou do meu whisky, foi isso?
M: - Não… quer dizer, não lembro.
H: - Cadê seu namorado?
M: - Está na minha frente, com uma coisa esquisita na camisa…
H: - Que nojo… o que mais você comeu, hein?
M: - Miojo, antes de sair de casa.

H: - Eu não posso ser seu namorado, você já tem um.
M: - Eu menti.
H: - Só pra me dar o fora? Conseguiu. Tchau.
M: - Volta aqui, meu amor. Pega uma vodka pra mim.
H: - Sai de perto de mim, sua louca.
M: - Só saio daqui casada.
H: - Socorro.
M: - Achei o homem da minha vida!

Luís Fernando Veríssimo.
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