terça-feira, 21 de dezembro de 2010

A ausência.

A verdade é que tenho andando cheias de ausências, mesmo que evite quase sempre de admiti-las....
Ausências de alguém do lado nas filas imensas que enfrento no banco.
Ausência de alguém pra ficar deitado nos domingos intermináveis.
Ausência de ligações infundadas no meio da madrugada pra dar um boa noite.
ausência de uma voz que me faça estremecer e nem ligar por ser acordada;
de um sorriso que rime com o meu como musica, e que, automaticamente, sorrindo, me faça sorrir também.
Ausência de esperas. De frios na barriga e de duvidas gostosas.
ausências do querer, do lutar, do buscar, do conquistar.
ausência de dedos, de encaixes, de mãos suadas, mas ainda assim, inseparáveis.
ausências de pés nos pés, de beijo na ponta do nariz e de abraços com mais de 30 segundos
Ausência de esperas, de contagem regressiva, de saudade, de vindas e partidas.
Ausência das horas na frente do espelho, do desperdiço de pó compacto e batom que logo será retirado.
Ausência dos cinemas no fim da tarde e da pipoca no sofá de casa.
Ausência de fotos felizes. De ver o amor estampado e congelado, fingindo ser eterno.
ausência de medo de perder. De cuidado. De palavras verdadeiras, sentimentos e reciprocidades.
Ausência de sentir. Sentir algo mais, algo que dê aos meus dias um gosto a mais de acordar e pentear o cabelo animada.

São tantas ausências que me obrigo a parar. Antes que não consiga parar nunca mais de citar...
Antes que eu não consiga parar nunca mais de sentir essa ausência do sentir.




segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

As dores e os desencontros valem apena quando achamos a felicidade.

se apaixonar....Sentimento que cedo ou tarde bate a porta até do mais duro dos corações, na verdade nunca vem sem avisar. É como doença, que manda mensagens pouco significativa, tipo o parente distante, que envia uma carta pequena avisando da provavel chegada, normalmente ignorada pelo receptor. E quando chega, sente-se despreparado para receber, confuso e atordoado. Não sabe o que se passa, ou finge, por que a verdade é que todos sabemos bem como tudo acontece, as mudanças climaticas no estomago, e a alternância frequênte dos ritmos cardiacos. Os sorrisos largos pré encontro, mesmo que esse encontro não seja necessariamente a dois. Aquelas falas decoradas na frente do espelho, e o sentimento de volta a 2ª serie, sabe? O medo de fazer tudo errado, e muitas vezes, o fazer tudo errado. As mãos que tremem a presença, a anciedade pela chegada, a tristeza pela partida, a espera pela volta. A graça que tudo e todos ao redor parece perder. Os olhos que so vêem a frente uma unica possibilidade: Ele/ela. Mas apesar de tudo isso ser quase universal e de passarmos por tal situação centenas de vezes em vida, ainda é dificil admitir, realmente, estar apaixonado.
 Na verdade, não entendo o sentido em negar e renegar um sentimento tão bem vindo, lindo, que enche de cores o amanhecer de qualquer um. Exeto pelo fato do medo da não reciprocidade, que convenhamos, sem querer ser pouco otimista, tem indices altissimos. O desencontro é frequente, e parece que bem mais comum do que o encontro de dedos e planos. Esse fato comprovado deixa algo tão especial a beira de ultrapassar a linha que divide o lindo do tenebroso. Nunca se sabe se deve-se ficar feliz com as borboletas, ou sair correndo pra bem longe.
 As vezes me pego tentando entender que fator biológico, social ou seja la o que for, explica o nivel elevadissimo de rejeição da paixão pelo seu alvo de desejo. É nessa hora que se enquadra perfeitamente o poema de Carlos Drummond que diz "João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amavaJoaquim que amava Lili que não amava ninguém." . E dizem por ai, que feliz era Lili, que era amada e não sofria. 
Mas devo descordar. Não em numero genero e grau, já que desconheço até hoje uma dor maior do que ver seu alvo de desejo desejando outra pessoa. Mas não posso considerar feliz aquele que tem o poder e o azar de não amar ninguém. Amar é maguico, necessario e unico. Vivemos uma vida esperando um amor. Sorte aqueles que o acham, mesmo que nos enrolemos milhares de vezes nos nós cegos dessa busca, e nós deparemos com milhares de rejeições e desencontro. Milhares de noites mal dormidas e lagrimas no travesseiro. Milhares de semanas de cara enchada achando que o mundo não faz sentido algum...Para que possamos descobrir mais a frente que faz, e que outra pessoa virá, talvez para virar tudo de ponta a cabeça mais uma vez, mas uma hora, a certa chega, os olhares se encontram, e ai sim podemos dizer que finalmente fomos felizes de verdade, pelo menos enquanto o tempo e a vida nós permitir... Seja esse tempo longo ou curto, o que importa é saber aproveitar cada segundo de recompensa pela árdua espera que Deus te deu.





Uma triste realidade

H: - Oi.
M: - Oi.
H: - Eu estava te olhando de longe… Você vem sempre aqui?
M: - Só quando eu estou com vontade de fazer xixi. Quem te deixou entrar no banheiro das mulheres?

H: - Entrei escondido queria falar com você.
M: - Não podia esperar eu terminar primeiro?
H: - É que eu sou muito ansioso…Não é sempre que se encontra a mulher da nossa vida numa festa de formatura.
M: - Mulher da vida de quem?
H: - Da minha vida.
M: - Que espécie de maluco é você?
H: - O homem da sua vida!
M: - Como é que é?
H: - Sou o cara que nasceu pra casar e ter filhos com você.
M: - Essa é a sua melhor cantada?
H: - É sério… vamos conversar.
M: - Quer fazer o favor de fechar essa porta? Eu ainda não terminei.
H: - Desculpe. Um homem sabe quando avistou a mulher ideal. Geralmente ela é bonita, sexy, tem gostos refinados e inteligência suficiente para ignorar suas gracinhas. É fina, detesta vulgaridades.
M: - Me deixa vomitar em paz?
H: - Achei que você só estivesse apertada.
M: - O que eu faço no banheiro não é da sua conta.
H: - Eu me importo com você.
M: - Socorro, tem um homem aqui dentro.
H: - Psiuuuuu, não grita, eu só quero saber seu nome.
M: - Eu to bêbada demais pra saber meu nome.
H: - Também estou um pouco tonto, confesso. Viu como a gente combina?
M: - Sai daqui e fecha essa porta antes que eu te jogue esse balde de lixo na cabeça.
H: - Algumas pessoas passam a vida toda procurando por um amor perfeito. Alguém que te complete e ajude no que for preciso, faça companhia em todos os momentos.
M: - Cara, como você é chato.

H: - Melhorou?
M: - Não acredito que você me assistiu fazendo aquilo.
H: - Foi a coisa mais linda que eu já vi.
M: - Acorda, seu idiota. Eu botei um pão de batata pra fora.
H: - Eu também adoro pão de batata com tequila.
M: - Espirrou em você, seu porco.
H: - Eu não ligo. Seu vômito é o meu vômito.

M: - O que eu fiz pra merecer um maluco desses atrás de mim?
H: - Tem coisas que só o destino pode explicar.
M: - De que planeta você veio? Larga do meu pé, chulé.
H: - Só você não percebeu que isso tudo não foi por acaso.
M: - Você me seguiu, eu pedi ajuda, ninguém te tirou do banheiro, eu te dei um banho de bolo de chocolate e cerveja.

H: - Nosso primeiro encontro…
M: - Nada disso é um encontro. Sai da minha frente.
H: - Não posso abandonar a mulher da minha vida.
M: - Que papo é esse? Deixa-me ver o que colocaram no seu whisky?
H: - É sério, nunca ouviu falar nisso?
M: - Whisky com bolinha alucinógena? É claro que sim. Nunca aceite o copo de um estranho.
H: - Nós somos o casal ideal. Nascemos um pro outro. Sabe quais são as chances disso acontecer numa festa de formatura? Uma em cada 150 milhões.
M: - Bem menores do que as chances de eu te dar uma porrada.
H: - Você não faria isso com seu futuro marido.
M: - Vamos do começo… Um: eu já tenho namorado. Dois: você não faz meu tipo. Três: isso não é uma festa de formatura. É a festa de 15 anos da Maria de Fátima. O segredo da relação perfeita está na identificação de sua alma gêmea. Geralmente ela é loira, alta e tem um piercing no nariz. Pode também não ser nada disso. Não importa. O grande lance é perceber se essa alma combina com a sua, tem gostos iguais, beijo bom e, de preferência,um cabelo sem gel.

H: - Quer apostar que nós nascemos um pro outro?
M: - Ridículo… vou ficar com peso na consciência.
H: - Por que não tenta? Fala uma cor.
M: - Preto.
H: - A ausência de todas as cores… A minha preferida também.
M: - Que bobagem.
H: - Um filme?
M: - “101 Dálmatas”.
H: - O mesmo que o meu… Quer prova mais definitiva?
M: - Eu nunca vi esse filme na minha vida.
H: - Roubar não vale.
M - Que papinho mais furado… Se toca, eu não fui com a sua cara.
H: - Última chance. Fala uma música.
M: - Ai que saco… Qualquer uma do Daniel.
H: - Daniel? Tem certeza?
M: - Absoluta.
H: - Então você tem razão… minha mulher ideal não gosta de música sertaneja.
M: - É mesmo? E que som ela curte?
H: - Rock, alguma coisa de Jazz… dependendo do dia, MPB.
M: - O que tem de errado com Leandro e Leonardo, KLB, é o Tchan?

H: - Nada, só não é mulher pra mim. De qualquer forma, foi um prazer. Todo mundo erra. Quem nunca pensou ter encontrado o grande amor e depois descobriu que ele roncava, tinha caspa e não era muito chegado a banho no inverno? Se fosse fácil não teria graça. O importante é não desanimar, e não foi dessa vez, partir pra outra. Tente declamar seu poema predileto em praça pública e espere alguém completá-lo. Se ninguém se manifestar, saia correndo. Podem ter chamado a polícia.
M: - Espera.
H: - O que foi?
M: - Eu também gosto de MPB. Minha mãe ouve Chico Buarque o dia inteiro. Tecnicamente, se eu estou em casa, também ouço.
H: - Não sei… Acho que foi um engano.
M: - Como você pode saber?
H: - Olhando bem..você é mais alta do que eu imaginava. A mulher da minha vida tem 1,60 de altura. Foi um prazer.
M: - Espera, eu estou de salto. Olha só… fiquei mais baixa.
H: - Você não tem nada a ver comigo.
M: - Tenho sim.
H: - Que interesse repentino pela minha pessoa… Até um minuto atrás você queria que eu fosse embora.
M: - Também não sei o que me deu.
H: - Você tomou do meu whisky, foi isso?
M: - Não… quer dizer, não lembro.
H: - Cadê seu namorado?
M: - Está na minha frente, com uma coisa esquisita na camisa…
H: - Que nojo… o que mais você comeu, hein?
M: - Miojo, antes de sair de casa.

H: - Eu não posso ser seu namorado, você já tem um.
M: - Eu menti.
H: - Só pra me dar o fora? Conseguiu. Tchau.
M: - Volta aqui, meu amor. Pega uma vodka pra mim.
H: - Sai de perto de mim, sua louca.
M: - Só saio daqui casada.
H: - Socorro.
M: - Achei o homem da minha vida!

Luís Fernando Veríssimo.
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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Sempre falta algo.


Tudo aconteceu em um daqueles momentos que não se pode impedir da mente voar longe, sabe?
Sim, aqueles, talvez em um banco de ônibus, uma fila de banco longa, ou em meio a uma aula chata. É nessas horas que me vêem as melhores reflexões. Pena que termino as perdendo antes de poder anotar num bloquinho de papel pra reler mais tarde e até quem sabe, me fazer novas promeças, daquelas que fazemos por toda vida, na intenção de um futuro melhor, mas que exatamente na hora que deveríamos lembrá-las, elas se diluem no vento, votando mais tarde pra pesar a consciência.
 Hoje foi um dia cheio e vazio. Vazio, pra não perder o costume. E cheio de pensamentos desse tipo, de frases que mais pareciam feitas, que eu anotaria pra repassar aos meus filhos, mas na grande maioria, esqueci antes de chegar em casa.
Foi um dia cheio de filas e de ônibus. De vagar por ai, pelo nada, pela minha vida passada e tentando arrumar meu futuro duvidoso.
São tantas coisas que eu penso que poderiam melhorar, mudar, se encaixar e se acertar. Tanto que eu gostaria pra enfim dizer, estou feliz, sou feliz, ou sei la quanto tempo vou achar que vai durar aquilo. Mas foi aqui que me veio Um pensamento que nunca havia batido a porta da minha cuca antes, mas dessa vez, entrou, e foi dono de cada minuto do meu dia: Que felicidade?
Isso mesmo. Se paramos pra prensar, hoje afirmamos que já tivemos tempos melhores, mas no tal tempo melhor, que mais parece lenda urbanas, também achávamos que nem tudo estava assim tão bem. É natural do ser humano nunca se contentar com nada, mas termina sendo natural nunca SER feliz. Estar feliz é até fácil. Estar feliz numa noite de sábado tomando uma cerveja gelada com os amigos. Estar feliz quando se estar bem com o namorado. Estar feliz quando brinca com o cachorro no quintal. Mas e o SER feliz, cadê? Somos todos treinados a conforma-se com o fato de que nada dura, e isso até pode ser verdade. Mas o caos de tudo isso é que nunca conseguimos sentir-se feliz por longo prazo. Sempre falta algo. A busca é eterna, e infelizmente andamos em círculos. Quem tem muito, quer mais, e o mais nunca parece suficiente.
É uma faca de dois gumes. Querer o melhor é sempre bom, mas nunca sentir-se satisfeito te leva a viver uma eterna busca, uma eterna perda de presentes, uma perda de uma vida por algo que nem você mesmo sabe o que é.
E isso me deixou atordoada, pois é nessa inércia que eu vivo. Uma busca, que ainda não conseguir dar um nome, e talvez nunca consiga.

Sentido que não posso fazer nada para mudar uma existência, parei, senti o cheiro de gente e planta do ar, o cheiro de vida e o sol na pele. E tentei pensar por um minuto, que tudo está bem. Mesmo que as faltas doam volta e meia, e sempre doeram pois sempre existiram, naquele minuto, eu consegui viver o momento, sentir a vida na pele, e ser feliz...
Nos minutos seguintes, voltei a me perguntar pra onde caminho, e a me preocupar com o tempo que ainda terei de esperar pra que minha vida seja a vida que eu sempre quis. Talvez nunca chegue a ser.


sábado, 20 de novembro de 2010

A real efemeridade das relações irreais.


O significado real das coisas, diante da imensidão que é uma vida, é praticamente impossível de ser visto a olho nú!
As certezas são efêmeras, as verdades, diluíveis e multáveis com o soprar do vento e o toque do tempo. Se levarmos em consideração a proporção de minutos ou de vezes que respiramos, e do outro lado, uma vida, tendo como nota a velocidade com que as coisas mudam, e o tempo que temos e já tivemos, tudo é insignificante. A dores, as certezas, as paixões, as dificuldades e os temores...Tudo passa ferozmente depressa, independente do quando vivemos intensamente cada sensação ou não.

 Tudo se faz e desfaz. Em um piscar de olhos, se refaz. Um começo, um fim, ou melhor dizendo um eterno recomeço. A vida é cheia de ciclos, de fases, de altos e baixos. E nada, nada é grande o suficiente para que possamos eternizar.
Viver é como entrar em alto mar, aproveitar a sensação boa que as ondas proporcionam sem esquecer que nem tudo são flores e quando menos esperar, elas vão te derrubar. E ainda assim levantar, de preferência sorrindo, provando que apesar de forte, você é mais. Deixar a correnteza ir e vir, levar e trazer de volta até a margem. Cair e levantar. Ter medo, porem, enfrentar de peito aberto.
Cada minuto perdido com lamentações e temores desmedidos é um a menos para viver.
Pra que perguntar-se tanto sobre o por que de cada coisa que passou ou o rumo que tudo tomou se depois de tantos anos de experiência ja estamos carecas de saber que só vamos obter essa resposta quando a mesma não fizer mais uma diferença significativa para nós.
Viver é um eterno risco, uma eterna duvida, mas que diferença fará se eu ficar trancada procurando respostas ou se eu simplesmente dar de ombros e dizer "ah, deixa estar" e sair pra viver? Tudo só vem ou vai na hora certa. O que conquistamos de verdade, fica pra sempre. Está tudo escritinho de caneta, e nada do que se faça ou do que se sofra muda o rumo final da trajetória.
É preciso estar distraído. É preciso não esperar nada. É preciso viver para que as coisas aconteçam. É preciso, acima de tudo saber entender que amizades e paixões vem e vai, mas tudo, TUDO o que for sinceramente verdadeiro, perdura por uma eternidade.




domingo, 7 de novembro de 2010

o eterno mais ou menos

A verdade é que eu dizia muito por ai que estava tudo bem
Talvez eu tenha cansado de parecer repetitiva, dizer que tudo vai indo, “so-so”, aquele lance meio meia-boca, sabecomé? Tudo aquilo muito comum de ouvir da minha boca, sobre minha vida pouco interessante.
Então resolvi mudar o texto, e negar a verdade que era tão clara aqui dentro. Passei a dizer, great, melhor impossível, mas de fato soava mecânico e até irônico se fosse dito cara- a- cara.
Não sei se me acostumei a ser uma garota um tanto negativa, ou se é exigência da minha parte achar que nunca tudo está bem. Mas a grande realidade, é que sempre nos falta algo, e não é apenas por eu ser alguém complicadissima e chata pra caralh...caramba. É geral e comum não estar completamente satisfeito. É HUMANO.
 A verdade é que assim como eu, meu estado de espírito e todos os meus pensamentos, o meu bem ou mal estar também são de fase. Haviam dias que eu acordava até satisfeita, e feliz por conseguir não reclamar da sempre ausência de algo. Mas em outros...Sai de baixo. E eram nesses que doia mais. Doia forte. Era como se o vazio esmurrasse agonizante as paredes do meu coração pedindo atenção, pedindo urgente um pouco de ar. Mas infelizmente a minha busca pela solução deste problema parece eterna.
 Às vezes tenho medo de virar uma pessoa cada vez mais sozinha e incompleta a cada ano que passa. Dos não encontros e ausências se tornarem cada vez mais extensas e as soluções, distantes. Tenho medo, também, de me acostumar a viver assim, achando normal o vazio eterno, o faltar algo, e a busca torna-se cada dia mais desesperançosa.



O meu ultimo pingo de fé que tudo há de mudar um dia, breve ou não, deposito em Deus, e nas linhas tortas pelas quais ele escreve cada vida.
Pois sei bem, que cada rabisco, cada virgula e cada ponto que vejo hoje, só ha de ser traduzido por completo anos mais tarde.


E é essa fé que acalma meu coração, que me faz crer que o encaixe que substitui esse vazio persistente ainda estar por vir, e vale apena a espera tão sofrida e os altos e baixos da vida.

...Enquanto não vinha, eu vivia com o não estar bem. Com os desencontros e os dedos vazios.





terça-feira, 2 de novembro de 2010

Fechando a porta de entrada.


É...Tarefa difícil essa de entender as coisas, as pessoas, os sentimentos e sensações, a vida. De reconhecer de longe o cheiro de furada ou ter a certeza de que posso abrir a porta e deixar o odor doce entrar e tomar toda a minha casa.
Difícil conhecer as pessoas de verdade, esperar delas o exato, e não decepcionar-se.
Difícil, a certeza de que está fazendo o certo ou o errado, que os frutos do que se planta serão grandes e saborosos e que não iremos perder tempo ao tentar.

Eu tento domar minhas sensações, parar de dar passos em falso, perder tempo com o que não acrescenta e escolher a dedo o que entra e o que sai, mas o problema é que ainda assim, mesmo após pesar, pensar e analisar o que eu VEJO, que é também o que eu IMAGINO e não necessariamente condiz com a realidade, termino escolhendo meio as cegas, arriscando como sempre, a bater a porta na cara do que, no final, valeria a pena deixar sentar a sala de estar e oferecer um café bem quente pra começar e deixar morar. E às vezes, deixando entrar aquele ou aquilo que bagunça, tira tudo do lugar, e vai embora, sem nada deixar de mais, levando consigo muito mais só que ficou.

Cansada de errar, de arrumar toda a bagunça depois de cada festa alheia, decidi trancar tudo. Ficar sozinha por um tempo às vezes faz bem.



segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O novo. Eu nova.

Que necessidade imensa é essa que eu tenho tido de mudar tudo que me rodeia, e buscar o novo, mas não um novo qualquer, o novo que me faça nova. O novo que me acrescente algo verdadeiramente util, que mude minha vida em poucas palavras, atitudes, troca de experiência...
 Eu cansei desse monte de frivolidade que me rodeia, do nada pelo nada, do alguém por nada, sabe? De viver dia a dia, passo a passo sem que nada a mais fique no final do dia. Cansei. Ou você me acrescenta, ou não espera nada de mim. Se manda, que só o que é util ficará apartir de então.

O ciclo interminavel das dietas mal sucedidas


La vamos nós, mais uma vez, enfrentar com muito temor ela, a balança. Relutamos alguns segundos antes de colocar o primeiro pé, fechamos os olhos, tapamos a visibilidade dos ponteiros para que ninguém ao redor constate junto a você seu sobre- peso catastrófico (pelo menos é assim que vemos sempre), e sim, ali estão eles, os numerozinhos que não deviam estar, 2, 5, 8 quilos a mais, verdadeiros ou simplesmente psicológicos, independendo disso, é como um balde de água fria. Descemos da maldita  como se acabássemos de olhar nossa conta bancaria e descobríssemos que haviam roubado economias de uma vida, ou como se tivéssemos acabado de ver ali no visor uma foto do nosso namorado na cama com outra: Desesperadas, frustradas, destruídas interiormente - e com uma vontade incontrolável de destruir tudo, também.
 Na volta para casa após o trágico encontro com os números que não deviam existir, vamos nós escondendo, não queremos encontrar ninguém conhecido, para que o mesmo não comente pra todos os seus outros conhecidos o quanto você está obesa, feia e abatida. O resto do dia tende a ser assim, às escuras e triste.
 O que fazer dai pra frente normalmente depende de que dia da semana subimos na balança. Se for uma sexta-feira, por exemplo, provavelmente tiraremos o sábado e o domingo para nós “consolar”, comer tudo o que gostamos (ganhar mais uns desagradáveis excedentes) e começar a tal dieta na segunda-feira. Ai é que se instala o perigo. Essa promessa de que “hoje eu vou me despedir de tudo o que eu amo, e amanhã eu vou começar a despedida pelo corpo não-desejado” é um buraco sem fundo. Se paramos pra contar quantas vezes no mês fazemos, religiosamente, o mesmo procedimento, iríamos ficar tristes nos matar, provavelmente.
 Mas tudo bem, digamos que de fato começamos  na segunda-feira, e o dia parece iluminado. Acordamos com a disposição de um super-heroi, comemos folha e suco no café da manhã, mais folha no almoço, sopinha de verduras no jantar. No final da noite nós sentimos já mais magra, poderosa e linda. Fazemos mil planos da roupinha que vamos comprar quando diminuirmos de manequim. Do que vamos mudar juntamente com o corpo. Eu por exemplo, sempre mudo meu cabelo. É a tentativa de dar aquele tapa geral na auto- estima sequelada, sabecomé?
 O problema é que o primeiro dia de corte calóricos é muito bom, o segundo até que vai, mas a partir do terceiro, você já passa a ruminar pra conseguir engolir aquela quantidade excessiva de folhar, e tapa o nariz pra comer tanta coisa sem gosto algum. Normalmente é ai que começamos a sonhar com um pote de dois litros de sorvete, e nos piores dos casos que já passei, vi um top sunday dançando lambada com uma fatia de pizza gigante na beira da minha cama. Ainda prefiro acreditar que estava sonhando.
 Quinta-feira. Após 3 dias difíceis de cortes alimentar, se aproxima o temido fim de semana, inimigo de qualquer tentativa de reeducação de peso. Começam a aparecer os convites para os rodízios, cinemas, bares e todos esses inimigos mortais das gordinhas. Na maioria das vezes temos total consciência de que jogar a responsabilidade na força de vontade e ir, é uma corda no pescoço. Talvez prefiramos fingir que acreditamos mesmo que ela (a força de vontade) vai ser forte o suficiente e resistir a uma, duas ou três rodadas de petiscos suculentos na mesa de bar, a cervejinha e o refrigerante, e preferir o suco sem açúcar. Mas a verdade é que quase nunca acreditamos a fundo na sua capacidade, e vamos consciente de que a dieta re-começa na próxima segunda-feira, onde estaremos, provavelmente, com alguns quilos a mais do que na segunda passada.



  

sábado, 9 de outubro de 2010

Eu disse não ao amor.

Não que a vida tenha me tornado mais fria. Mas de certo modo, me deu varios meios de ligações até a mesma.
Não que eu seja gelida demais,o tempo...Os acontecimentos do caminho nem sempre facil de caminhar, levou consigo a minha paciência pras pessoas. Levou, também, os olhos que viam tudo mais tomantico e cor-de-rosa. Levou consigo, a menina que gostava de flores, presentes, encantos e amores. Deu fim, também, ao sonho do amar por amor, sem qualquer interferência de terceiros fatores, sem nem se importar se era comodo e valia de fato apena. Só se preocupando com o sorriso que radiava como nenhum outro, e ativava a minha felicidade quase que automaticamente. Levou consigo, o sentimentalismo demasiado, o sonho de casar e o felizes para sempre no final da historia. Levou comigo a paciência para o telefone, para a troca de satisfações, e a divisão de vida que hoje é tão minha, e só minha. Levou consigo o sorriso bobo que eu costumava dar quando um alguém que disparava meu coração, falava alguma coisa bonitinha-que hoje provavelmente acharia idiota.
Levou consigo a vontade de dividir-se. doar-se, apaixonar-se.
E quando eu sinto qualquer formigamento na barriga, parece caso de hospital, internamento urgente, UTI.
Coisa de outro mundo, sabe como é? De outra vida, outro seculo....

Não que eu tenha me tornado alguém fria, apenas, talvez, um pouco mais adulta.

Realmente é uma pena que seja tão triste crescer. E que pessoas grandes não saibam amar por amar.


quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Efemero demais para se amar.

Sabe o que eu mais odeio em mim? O fato de ainda conseguir me decepcionar com as pessoas. Sim, eu devia já ser grandinha o bastante para esperar de cada um que entra em minha vida, completamente tudo. Ou completamente nada. Mas não importa quantas vezes aconteça, quantos deles se mostrem cedo ou tarde um lobo mal fantasiado de boa vovozinha, eu ainda fico anturdita. Antes parasse só no ficar pasma, mas não, normalmente vai mais além. Meche com o meu sentimental, fico triste, chateada, decepcionada, magoada... E depois de tudo, termino por me sentir completamente burra por permitir sentir tudo isso mais uma vez, por esperar mais uma vez, por achar que conheço a todos que me rodeiam, e por considerar qualquer um que de repente entra na minha vida, me da uma meia duzia de sorrisos, momentos felizes e provas descartaveis de amizade, de fato meu amigo eterno e inseparavel.

E com tudo isso, me prometo, não pela primeira ou decima vez, fato, mas ainda assim, comprometo-me a mudar isso em mim. A parar de ver os momentos bons e as pessoas que chegam do nada como solidas. Não me admirar mais com a efemeridade de tudo ao redor, e aproveitar os sorrisos, sem esperar nada mais dele, do que aqueles e um adeus em seguida. A vida é assim mesmo, um amotoado de leva e trás, de vem e vai, de chegadas e saidas, felicidades e lagrimas, boas vindas e partidas...E a unica coisa com a qual eu espero não perder mais tempo é com decepções pelas mudanças que o tempo insiste em implantar nas relações jamais solidas e eternas. Por que NADA, nada é certeza. Tudo pode mudar tão rapido quanto o tempo que se leva para piscar os olhos.



domingo, 26 de setembro de 2010

Meu momento. Meu segundo.


Momento.
O que faz de uma fração aleatória de segundos, o momento certo? Ou, de contrapeso, o momento errado?
Será que está tudo relacionado as pessoas envolvidas na "equação" em jogo? Ou realmente é algo místico, de tempo, de hora, de momento?

Parece realmente um toque de mágica, quando todos os seus sentidos conspiram pra fazer de um segundo, o segundo ideal para tudo acontecer. Seu relógio biológico trabalha arduamente a favor, para que não passe nem falte nenhum segundo. Quando o despertador indica que chegou a hora, seu coração se abre, dobra de tamanho, pronto pra receber de braços abertos, pronto para doar-se.
Seu momento chegou. Você já é demais pra caber em só um ser. Necessita, como que em vida e morte, dividir-se. Involuntariamente, inicia-se uma busca por outro coração apertado, por outro sorriso largo disponível, por vãos em mãos frias.
Quando o encontro acontece, congratilation. Tudo indica que essa soma dê bons resultados, e que pelo menos, ambos tenham muita vontade de que tudo dê certo. Um completa o vazio interior do outro, o frio nas pontas dos dedos, tanto das mãos quanto dos pés.
Mas a parte menos bonita de tudo isso, é que normalmente esse encontro não acontece. Parece que o mundo conspira contra, se diverte, vendo você quase explodindo com tanto amor pra dar, vendo seu tempo passar vagarosamente e friamente, enquanto você chora por dentro por sentir-se tão só.
E quando acontece, a reciprocidade é sempre rara. Um coração quente jamais vive em comum acordo com um congelado pela espera e pelo tempo que se passou. Quando o momento certo não desperta dentro dos dois, o caminho é, no mínimo, exaustivo para o que ja encontra-se prontinho pra fazer o seu melhor e correr pro abraço.
E ai o tempo passa, depois corre, e você se acostuma a espera, ao gosto de sua língua, e de mais ninguém. Começa a ver que o encaixe das suas mãos podem ser encontrados na sua outra. Que os pés são facilmente aquecidos com meias, e que aquela musica que diz que ninguém é feliz sozinho talvez não esteja assim tão certa.
O tempo passou, as flores que haviam sido plantadas no seu jardim morreram, tudo congelou. E é normalmente ai, que você encontra o maior numero de corações na sua caixa de correio, de sorrisos sinceros e boas oportunidades. Mas o cheiro poderia ser melhor, se você pudesse receber flores sem achar retrogrado e ridículo demais.
O amor é o ridículo da vida. E só se pode amar, quem está pronto para ver graça em tudo isso.
O amor é muito simples. Mas nem sempre o simples é simples.
É muito fácil encontrar alguém que nos complete, que nos faça bem, que nos faça sorrir, que nos deixe com vontade de voltar tarde pra casa. O difícil (e gostoso) da vida é encontrar alguém a quem amemos alguém que nos ame. É encontra-lo no seu momento, no nosso momento, e acreditar no cliche de " viveram felizes para sempre!"


terça-feira, 21 de setembro de 2010

A culpa é do álcool, sim!




Um numero elevado dos leitores desse post devem estar se identificando com a expressão acima citada, se não, todos. Quem nunca ouviu alguém botar a culpa nele, nossos companheiros (e destruidores) de noitadas? Quem nunca ouviu, vai ouvir. E quem nunca usou tal, vai usar, ou segue alguma religião que proíbe seu consumo. Cedo ou tarde, passamos pela (desagradável) situação de acordar com aquela dor de cabeça, e fica em duvida do quanto é devido a ressaca pós-excesso ou peso na consciência pós...Bem, excessos poderia ser um termo bem empregado para a segunda situação também.
No começo tudo é muito divertido. Alguns copos são suficientes para deixar alguém no brilho (no meu caso, especificamente, alguns copos são mais que o bastante para me fazer vomitar metade da noite, e não lembrar de nada no dia seguinte) mas o problema é que normalmente não paramos ai, e não paramos, até nossos sentidos pararem de responder. Terminamos a noite jogada em algum canto, vomitando nos nossos pés, e tentando comunicar-se com os demais a sua volta em alguma língua indígena desconhecida (graças a deus não conseguimos, ou aumentaria o numero de itens na lista de suicídio social.) Subimos na mesa, beijamos o cara mais feio da festa, pegamos briga de graça, tiramos a roupa, contamos todos os segredos íntimos (nosso e dos demais que encontram-se no local), amamos todo mundo e voltamos para casa, normalmente carregados e observados por todos no local que são obrigados a abrir espaço para que o grupo desesperado nos carregue até um local previamente definido, antes que você, o ser quase em coma alcoólico e sem condições alguma de reagir, vomite para todos os lados e em todas as mãos que te socorrem. A parada normalmente é em algum hospital próximo para tomar um pouco de soro, um tapa na cara do seu pai que teve que acordar no meio da madrugada para socorrer a filha/filho invalido e desfalecido, ou a casa de algum amigo, na tentativa de evitar a tal bofetada.

Passou. Você acordou no outro dia. Ou melhor, passou o pior, por que aquela sempre esperada dor de cabeça parece que só faz piorar. Tudo continua a girar, e você se odeia por estar daquele jeito, promete a São longuinho que se lembrar de tudo da três pulinhos, e aos demais Santos que nunca mais poe uma gota de álcool na boca.

Quando o pior parece ter passado, eis que surgem os malditos telefonemas com o bombardeamento de memórias esquecidas, e dentre muitas delas, demasiadamente exageradas (Sempre tem aquele que adora ficar sóbrio só pra ter o prazer de matar os ébrios de vergonha no outro dia). É à hora de sentir-se ainda pior, e enxaqueca confundir-se com um puta peso na consciência e uma sensação de inutilidade imensa por não conseguir lembrar de nada mais do que leves flesh’s que vão e vem na sua memória recente e corrompida. E pior, pela falta de controle de si. ,
 E a partir dai você vai viver sem saber até onde é verdade o que foi dito, e se perguntando por um bom tempo como foi capaz de deixar tudo chegar aquele ponto. Rodeado de duvidas de como tudo aconteceu, e quantas pessoas conhecidas viram cada cena, a ponto daquilo rodar de boca em boca, e você cometer um suicídio social sem volta. Pra diminuir um pouco daquela culpa, eis que surge ela, a velha e boa expresão: "A culpa é do álcool!!!". E pior que é mesmo (não em todos os casos, claro). Não duvide se seu namorado um dia tentar justificar algo com ela (Mentira, duvide, afinal, ele é homem hehe machismo mode on). Termine, jogue a aliança na cara dele, a tv, o guarda roupa...Mas “acredite”! Quem nunca passou por tal experiência sempre vai duvidar, mas quem já teve historias pra contar (normalmente desagradáveis), e pôde sentir o peso de cada vez que o telefone tocava com uma novidade no dia seguinte, entende bem.

Pronto. Daqui a umas duas semanas ninguém lembra mais de nada (talvez uma pessoa ou outra ainda fale da cena onde você mostrou os peitos e dançou na 7ª velocidade) e estamos todos de volta, a uma mesa de bar, jogando algum joguinho pra ficar bêbado, e com mais (meias) historias pra contar, já que a outra metade só quem poderá contar é seu colega menos bêbado que vai lembrar de tudo no outro dia.


domingo, 19 de setembro de 2010

Desencaixote os meus valores morais, e leve todo o resto embora.

Somos um corpo. uma roupa. Um principio.
Lutamos por uma idéia, batemos o pé por um ideal.
Defendemos nossos pontos de vista avidamente. Damos um dedo, uma orelha, um pulmão pelo que acreditamos ser correto. Julgamos o errado.

De repente, trocamos de roupa. Seja qual for o motivo interno, externo...Perceptivelmente ou não, Enfim. Somos o mesmo corpo, com outras vestimentas. Desconfortável, apertada, nem um pouco nossa cara a princípio, talvez. Mas tudo é apenas questão de adaptar-se. E com o tempo, tudo aquilo parece que nunca pertenceu a mais ninguém que não seja você, eu, nós...

Moldamos cada cm de nosso ser para caber no novo espaço. E, sem perceber, mudamos também nossa cabeça. Praticamos a quebra de braço, só que agora, por outros idéias. Defendemos novos conceitos, que vieram grátis naquela blusa nova inicialmente esquisita.
Mudam-se, compasivamente, objetivos, sonhos, visões, sentimentos. A única coisa que sobram são os princípios, aquela coisa que ta no sangue, sabe como é? Mas, que ainda assim, muitas vezes são esquecidos na gaveta por tempo indeterminado.

E este ciclo recomeça, vai, volta, muda, mas nunca para. Vivemos uma eterna metamorfose. Mudamos de cabelo, de cor de pele devido ao clima do local em qual passamos a viver, de estilo de calça comprida, tempos mais folgadas, outros, mais ajustada. Mudamos também, de tamanho de salto alto. Mudamos de voz, de costumes, do modo de rir, do tom com que falamos, e as expressões utilizadas. Mudamos de casa, de emprego, de cidade, de amigos, de namorado. Deixamos de gostar de animais de estimação, e preferimos morar no ultimo andar ao invés de morar em casa. Mudamos o paladar, o conceito de beleza, de certo, de errado, de concreto e abstrato. Volta e meia nossos princípios se embaraçam, ficam confusos, desnorteados...E do nada percebemos que já não somos nós. É uma alma em um corpo perdido. Uma alma, em uma cabeça quebrada. Uma alma límpida, mas agora sem uma digna morada.

E no dia que a ficha cai e nos damos conta de tudo isso, fazemos a velha limpeza pouco rotineira no guarda-roupa, jogamos tudo fora, e vestimo aquela blusinha simples e colorida, já com cheiro forte de mofo e desbotada pelo tempo chamada essência, mas ainda assim, tão nossa.
É o nosso principio que está ali. Somos nós. E assim, só assim, posso ser de novo quem sempre pensei ser e tanto me orgulhei um dia. O resto, mando o carro de mudanças levar de volta do lugar que tirei, usei, e constatei, não me serve em nada.


quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Mil vidas em apenas uma existência.


E, sem qualquer tipo de aviso prévio, você se pega a transportar-se de volta ao passado e viver momentos que a tanto já despediu-se. E não importa se fazem meses ou anos que tudo sucedeu-se, aperta no peito a falta como se fizessem parte do hoje. E, quase relutante, você acorda com um estalo ao lado de seu ouvido que te traz de voltar ao presente. É o mundo real dizendo " oi, tem alguém ai?". E, você entorpecida pelas doses quase alcoólicas de lembranças que a deixam completamente ébria por alguns instantes. Nos segundos seguintes tudo para de rodar, e seu olhar volta a focar o presente momento, fazendo lembrar que tudo aquilo já se foi a longas datas e que o tempo muda muita coisa. Não somente, como mudou quase tudo ao redor e o meio onde se vive já é completamente estranho diante do que agora a pouco formou-se em sua mente.
  É natural que nesse choque de abstinência te venha o ontem, e chegue até a apertar no peito. Tudo o que foi bom deixa um gosto doce nos lábios, que sempre será satisfatório demais de se provar novamente. Mas a verdade é que tudo não passa de lembranças, e essas não devem jamais trazer consigo dor e desespero, já que o ponteiro do relógio nunca para, e a vida passa depressa demais, mudando tudo, levando tanto consigo, e nos dando presentes novos a cada novo dia. Agradeça a esse Deus poderoso, o tempo, por dar-nos a oportunidade de virar as páginas já surradas e gastas de nossas vidas, de começar de novo. Viver mil e uma vezes em apenas uma existência. Diga um muito obrigado por mudar tudo, e só assim, dai-nos a chance de mudar junto, crescer e descobrir-se, de ser feliz de um jeito diferente a cada novo amanhecer.
 É verdade que muita coisa se perde ao decorrer dos caminhos pelos quais seguimos, mas se paramos para analisar, quanto não se acha junto, lado a lado de cada partida, vemos sempre uma chegada. E, em meios a tantas idas e vindas, quanto não nos achamos.
 Desate os nós do passado, desvencilhe-se daquela tecla do seu teclado mental que diz "foi bom e ainda pode ser". Nem sempre as coisas seguem os mesmos roteiros dos filmes de romance. Nem sempre (quase nunca, pra ser mais exato) o mocinho do começo será o mesmo que te carregará no colo no final da trajetória depois de ouvir um " e foram felizes para sempre". No nosso mundo, tudo, infelizmente, tem começo meio e fim. Nasce, cresce e morre...É a lei da vida. Aprendemos isso na aula de ciência na 2ª serie. E se hoje, o ontem morreu, não existe nenhum por que de tentar parar o tempo, e trancar-se no seu quarto, languido, com milhares de perguntas sobre o que e o porquê não foi, não passa de desperdício de minutos valiosos de vida. Perceba, as respostas sempre aparecem, mas somente quando elas já perderam o foco principal em sua vida. Talvez seja assim para que possamos aprender que não adianta perder tempo demais com perguntas, a vida continua, e só o passar dos dias pode atenuar as nuvens negras e cinzentas diante de seus olhos, e mostrar toda a realidade
 Abra a janela e se jogue pra vida, procure um começo novo, um amor novo, sorriso, e até quem sabe, um corte de cabelo novo. Tudo que temos só é valido e gratificante de fato quando faz bem, o resto não passa de meio, pouco e insuficiente de sentimento. Pois pouco amor não é suficiente pra me fazer sentir frios na barriga e êxtases de felicidade como a alguns meses atrás de algum grande amor entrar em declínio, e se tornar a cada dia, a cada magoa, a cada prova de não amor, um pouco menos amor...E é ai que você se da conta de que está na hora de abandonar o velho ciclo e deixar o tempo recomeçar um novo, com cheirinho de recém comprado, e pronto pra te fazer perder a cabeça mais uma vez por algum tempo, longo ou curto, mas apenas um tempo.Afinal, a vida é isso, uma constante mudança, um grande ciclo de idas e vindas, fins e começos, altos e baixos, picos e declínios...E a graça está em aprender a cada dia a ter jogo de cintura pra passar por tudo isso de cabeça erguida e sem perder o sorriso no rosto e a vontade de recomeçar mil e uma vezes, se necessário.

 

domingo, 29 de agosto de 2010

Parde com ela um pedaço de mim.

Foi há um ano, quando Deus me fez pisar dentro daquela loja. Nunca foi o que eu queria para mim, mas naquele tempo era a minha única opção. Fui contratada rapidamente, e me dediquei ao Maximo para que tudo desse certo. E deu. Comecei a amar estar ali, mesmo tendo total consciência de que eu teria que procurar o meu melhor, e com certeza o melhor não seria encontrado ali. Ainda assim, passou-se um ano, e nem senti o tempo correr, só agora posso me dar conta do quanto ele voou.
Estar naquele emprego me deu muito além do que eu procurava. Muito além de dinheiro no final do mês para pagar as minhas dividas e vaidades. Me deu vontade de viver novamente, de virar páginas de minha vida que insistiam em manter-se em foco. Me deu amigas maravilhosas, e uma dose de auto-estima e independência. Me deu uma carteira de motorista, camera digital, celular, roupa, sapato, curso de inglês, mechas loiras e uns quilos a mais (rs). Mas, acima de tudo, estar ali me deu vontade de continuar buscando. Veio na hora certa, e só Deus sabe o quanto isso é verdade em cada letra pronunciada.
Construí ali uma segunda família, que em diversas épocas tornaram-se primeira. Passava há conviver mais tempo com elas do que com meus próprios amigos e familiares, e é assim que eu as vejo até hoje : Família.
Como em qualquer relacionamento que envolve pessoas diferentes, cabeças e mundos diversos, também tínhamos nossas desavenças, estresses, brigas e até nos odiávamos por algumas horas, mas cinco minutos era mais que suficiente para trocar aquele abraço com os olhos cheios de lagrimas e dizer " te amo amiga, me perdoa"
Ah, sim, lá também aprendi a pedir perdão, só para constar.
Foi a minha primeira experiência profissional, e sei muito bem que não a ultima, mas de coração, espero que a única por algum tempo. Me dói muito pensar na possibilidade de mudar de vida, de deixá-las pra trás, de congelar sonhos e recomeçar. Eu sei que essa hora cedo ou tarde vai chegar, mas prefiro estar mais preparada e conformada para enfrentar essa separação sofriguida demais para o instante.

Está sendo tão difícil saber que a partir de agora vou acordar e não vê-la mais chegar atrasada com a mesma desculpa esfarrapada todos os dias, e nem ver aquela careta idiota que mesmo depois de tantos meses vendo diariamente, ainda me arranca gargalhadas. Como continuar sem dor, sabendo que aquele meio horário vai estar vazio, e aquele som irritante da risada que só ela tem não vai mais soar diariamente entre nossos ouvidos? É difícil, parte com ela um pedaço de mim, uma parte que aprendi a amar, que aprendi a imitar até, aquela voz de menina travessa que eu adoro, e aquela carinha de garota que ainda tem os sonhos do tempo de escola, mas é muito mulher apesar de tudo. Achei, a principio, que idéia não seria tão difícil de ser digerida, mas a ficha caiu, e eu cai junto.
Ela deixa a gente, mesmo que eu saiba que ainda vamos nos encontrar um dia qualquer pra tomar um sorvete (que adoramos) e jogar conversa fora, mas também tenho plena consciência que contarei nos dedos as vezes que vou poder abraçá-la de novo em vida, já que as vidas tem caminhos tão distintos e tempos tão curtos...
Sei que o pior está apenas começando, e que tenho que me preparar para outras perdas, e até quem sabe, para ser perdida pelas que la continuarem (se), mas agora, é só isso que me vêm a cabeça. E dói.




quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Bum

É sempre assim, tudo vai bem (teoricamente), e de repente, bum, tudo explode, e o chão onde antes você se equilibrava, já não existe mais. Seus pés não acham onde pisar, e suas mão, nada do lado para poder segurar. Eu já devia está acostumada com essa "rotina", nem me admirar mais quando tudo volta a acontecer novamente, mas infelizmente não estou. Ainda fico desnorteada sempre que um balde de agua fria é lançado na minha cabeça sem qualquer tipo de aviso previo. E hoje é assim que me sinto....E tremo de frio, medo, angustia ou sabe-se la quantas sensações diferentes podem estar nesta mistura gosmenta e pegajosa que me enjoa no momento.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Longe dos olhos, longe do coração.


Sim, isso mesmo. E não venha querer colocar aspas nem porém. É exatamente assim que fuinciona na vida real, sem tirar ou por qualquer tipo de ponto ou virgula na afirmação usada como titulo.
   A convivência constrói castelos, amores, afetos. A ausência demasiada, os destrói, e não há nada que impeça que o mais solido dos muros de proteção terminem por ser apenas pó e poeira. É muito bonito abrir a boca e falar alto, com toda convicção do mundo, que seu amor resiste ao tempo ou a qualquer ausência, mesmo que seja eterna, mas na pratica é tudo muito diferente.
  O que faz de uma relação firme e viva é a presença, e não necessariamente em corpo, existem diversos meios de estar vivo em alguém quando não se pode estar tecnicamente perto. A diversidade de meios de comunicação é quase infinita, e só se deixa morrer o carinho construído quando não se sente mal em ver a morada feita para abrigar aquele alguém cair, tijolo por tijolo, bem abaixo dos seus olhos.
 Não importa de que relação se trate, nada sobrevive sem a troca de algo. Troca de carinhos, amores, beijos, abraços, lembranças, desejos, palavras, preocupações, amizade, ligações, saudades...Vidas. A presença de alguém a acompanhar seus passos, dividindo suas vitorias e derrotas, compartilhando seus sorrisos e aflições, vicia. Ter aquele sorriso estridente ou quem sabe, baixo e calmo vicia. Ter aquele tom de voz tão peculiar e particular, vicia. Ter aquele ombro amigo confortante, vicia. Ter aquele modo pessoal de cada ser de demonstrar a importância que você tem na vida dele, vicia. Carinho, amor, amizade, tudo de bom vicia. Mas a ausência dos mesmos também parecem tentadoramente viciantes. Dia a dia, você bebe um pouco do antídoto dessa mania daquele alguém, a princípio é amargo, triste e doloroso. Normalmente relutamos em deixar tudo cair no esquecimento, tentamos contornar, fingir que nada mudou, mas a ausência é obvia e clara. A falta de reciprocidade grita diante de seus olhos, e a cada ligação não retornada, mensagem não respondida, convite recusado, e semana que passa sem nem se quer um sinal de fumaça, você sente rasgar tudo por dentro...E os rebocos do castelo que já não suportam mais o peso do tempo (ou da falta de tempo) e da ausência, e começa a se auto-flagelar. Com o correr dos ponteiros do relogio, sem nem mesmo você se dar conta, cadê? Pó e poeira. A vida seguiu sem aquele jeito engraçado de olhar, sem aquela ligação diária no celular, sem aquele conforto pessoalmente especial, e tudo isso já nem faz mais falta pra você. Talvez já tenha sido substituído, ou simplesmente aprendemos a ser mais auto-suficientes e menos dependente, seja lá do que se trate, a cura do “mal” foi decretada, e o que antes era necessário, tornou-se banal. E assim acaba-se um amor. E assim acaba-se uma amizade. E assim, segue-se também uma vida sem necessidades e abstinência em algo que já não poderia ter. Que já não quisera estar ali. E assim, recomeça-se. Longe dos olhos, longe do coração.




sábado, 21 de agosto de 2010

Trofeu de lata.

Oi garoto.
Antes de mais nada, minhas sinceras - iguais a você - desculpas pela demora em vim até aqui parabeniza-lo, mas levei demasiado tempo para peceber o quanto eras merecedor do mesmo. Agora antes tarde do que nunca, queria ter a chance de apertar a sua mão e dizer:"muito bem por sua atuação impecavel e pela admiravel cara de pau". Congratilations, pricipalmente, por conseguir manter a sua mascara quase intacta por tanto tempo. Um trofeu de lata para você e o disputadissimo primeiro lugar de maior decepção que conheci. É uma pena que tudo isso não te conseda a sorte de um amor tranquilo e real, ou a paz de uma felicidade sem manchas. Mas te deixa com o gosto eterno da vitoria de ter conseguido -pela metade- sempre quem seu ego clamava.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Preto, branco, borrado e sem graça.

Tenho medo dessa minha chacina pessoal. Desse meu lado nilista que ostenta recentemente quase todo meu ser. Desses crimes diários que tenho cometido, atirando na cabeça de cada um que faz(ia) parte do meu ciclo  fatídico. Dessa armadura que tenho vestido dia a dia, involuntariamente e inconscientemente. Sim, tenho medo de mim. Me assusta o gosto amargo da dureza e da incredulidade frequente em minha boca. Dessa veracidade de que nada do que eu tenha atualmente ainda valha apena manter vivo em mim...E continuo a mirar se receios, puxo o gatilho sem sequer pestanejar e... PEI. Um a menos.

Tenho dado as costas, sem dó ou piedade, a tudo que não acrescenta, que não recíproco e que não merece estar aqui, dentro desta linha que envolve o que de fato não é dispensável para estar bem! Mas olha só...Mesmo depois de tantas vidas apagadas (em mim), estou tudo, MENOS bem!



A parte mais verídica nisso tudo é que eu abusei desse mundo (Ou do pouco e sem graça que conheço dele). O unico canto que fico sinceramente feliz ao pisar é no meu quarto, que tem se mostrado cada dia mais longo e frio. E mais do que o natural, ando insuportavel (MAIS)! Acho todos igualmente insossos. Nenhuma conversa me prende. Tenho sono das pessoas. Ninguém me atura. Nem eu me aturo. Alguém se habita a tentar? (Uma pequena parte involuntária de mim cruzou os dedos na espera de um NÃO)


Tenho dormido tarde. Dormido pouco. Minhas olheiras têm combinado bastante com a minha freqüente expressão "poucos amigos" ultimamente. Tenho conversado pouco, ligado pouco, atendido pouco o telefone, e devo admitir, o silencioso do celular 24h diárias é proposital. Não estou pra ninguém, e não deixe o seu recado após o BIP.
Tenho lido pouco. Saído pouco. Visto pouca gente. Tenho, infelizmente, esquecido de mim um pouco também. Esquecido das unhas mal feitas frequentemente, da pele mal hidrata e do exercício físico diário que me fazia tão bem...
Troquei o meu regime pelo copo de coca-cola que serve como energético para os textos noturnos. E os 5 quilos a menos só não foram trocados por vários a mais pelo simples fato de andar esquecendo de comer, também.

E olhem só, hoje é segunda. E pelo menos isso eu posso tirar de bom de todo o mal-estar... Sim, já nem tenho mais motivos pra odiar o segundo dia da semana...Já que todos os demais serão quase que iguais...(Opcionalmente)sozinhos, rotineiros, corridos e sem sal algum....

Sou um desenho no Preto&Branco borrado e sem graça.





p.s.:Esse texto era exclusivo do meu blog pessoal...Mas por algum motivo ainda indefinido, resolvi postar aqui, nesse outro blog, quase pessoal, já que ninguém se dá ao trabalho de ler mesmo hehe. =)

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

"Infelizmente", já não sentia mais nada.



Eu já estava quase decorando cada fala do roteiro das minhas experiências amorosas. Sempre era quase do mesmo jeito, e já previa o começo, meio e fim. Mas, talvez cansado de ver sempre a mesma novela por tantos anos, uma vez aconteceu tudo inverso! Todas as historias com finais pouco felizes que eu conheço (inclusive as minhas), “o apaixonado” luta por meses em busca do completo esquecimento do objeto de desejo. Rolo/namoro/caso/acaso/indefinido ou seja la quantas variáveis podem ser usadas para enquadrar uma relação (ou uma não relação, dependendo do ponto de vista) com o tal objeto. Eu, também já me enquadrei inúmeras vezes no grupo acima citado, e já fiz até simpatia no dia de são Pedro na tentativa (frustrada, obvio) de trazer o meu amado de volta (Qual amado mesmo? ) Ou até, o inverso, desejei bater a cabeça e acordar com um leve probleminha de amnésia temporária....Valeria apena se fossem embora todas as lembranças daquele falecido- Sim,  costumava apelida-los assim muitas vezes pelo desejo exaustivo de que fosse, de fato, verdade, e não me chame de cruel, sua ex-algumacoisa já desejou o mesmo.
 Mas, teve uma vez que “ele” (meu coleguinha destino, tão lembrado por aqui ultimamente) me botou no meu caminho aquele garoto bonzinho (Rá), que, quando se foi, ao invés de me fazer querer forçar as lembranças a irem embora enfiadas na sua traseira , chama-lo, também, de falecido, e me deixar a sofrer em busca de um meio de despitar as muitas recordações que restassem,  me fez querer fazer exatamente o inverso!
 Segurei firme cada memória boa, peneirei os fatos, e deixei ficar apenas aqueles que fossem agradáveis de lembrar...Ignorando o grande volume que as más recordações faziam no meu lixo mental (nem sempre reciclado).O que sobrou de “guardavel” (Adicionem essa palavra ao seu dicionário, colega hehe) e amável, colei na parede do meu cérebro, e quase me obriguei a fazer horas diárias de exercício mental para nunca esquecer de lembrar.
  Era difícil impedir que os sorrisos não fugissem as vezes, e que tudo não se perdesse no esquecimento com o passar do tempo...Talvez tenha sido a tarefa mais ardua que eu tenha tentado cumprir....Afastar um sentimento é duro, mas obriga-lo a manter-se próximo também exige muita dedicação.
Só que, vejam só...As verdades não desejáveis que tentei descartar resurgiram das cinzas, só para fazer juz aquele ditado popular que diz que a verdade sempre aparece e que a justiça tarda mas não falha...E tudo foi cuspido na minha cara sem aviso prévio nem pedido de licença pra entrar na minha casa e deixar tudo de cabeça pra baixo. 
 E eu fiquei com raiva....Sim, com raiva. Mas não foi raiva dele (mesmo você sendo, na verdade, um filho da puta! ¬¬ ), nem dela, nem de ninguém...Foi de mim! Ódio por não ter sentido raiva! Por perceber então que eu falhará todos esses meses, ano...Na tentativa quase frustrada de guardar algo bonito daquela “istoria história”...Que na verdade, de bonito só tinha o conto de fadas e a farsa perfeitamente fantasiada de bondade e sinceridade!
Não houve reação dentro de mim 30 min após os 5 min reveladores. Talvez eu me sentisse melhor se houvesse me sentindo profundamente triste...Mas não foi assim. Me senti profundamente chateada, é verdade, mas foi pelo simples motivo de não sentir! 
 Resumindo em meados, Simplesmente, já não sentia mais nada, mesmo querendo sentir. Já nem se quer, estava triste.


quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Esconde-esconde com o destino.

O destino é um menino travesso...
Brinca com nossas expectativas e acha graça nas milhares de borboletas que passamos a criar no estomago quando contamos nos dedos suados os dias para alcançar o algo tão esperado.
Seja lá o que se almeje, é sempre assim! Queremos tanto, esperamos minuto a minuto, procuramos, e até, nos desesperamos, e na verdade, só nos é dado quando estamos quase desistindo, a caminhar distraídos - mas no intimo, a fé perdura.
Maldito! Ta se divertindo as minhas custas em colega? Rindo da minha espera eterna por tantos “algos”, que mesmo após descobrir o teu jogo, não consigo nem se quer fingir que estou aqui, de bobeira, sem pretensões nenhuma no amanhã.
Eu até tento controlar os freqüentes formigados na barriga, ou a distonia quase diária, e até aquela velha mania de picotar papel no tempo ocioso e tenso, mas infelizmente, ta difícil te passar a perna. As ausências são inúmeras, e o aguardo, demasiado longo no momento, para fingir que to nem ai para o tempo que levarás até cansar de zombar de mim.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Rapousa em pele de cordeiro. E que se caiam as mascaras...


Surpresa. É somente o que eu sinto. Poderia ter ficado triste, magoada e perder um pouco do chão, dos sonhos, das crenças...Mas não! Apenas, surpresa.
Decepcionada, talvez. Mas o único foco que consigo ver aqui dentro é o de perplexidade. Uma pessoa, duas historias, varias mascaras. Talvez eu já tenha chegado a desconfiar desta possibilidade, mas não queria perder o encanto. Me fazia tão bem acreditar, ainda, em pessoas boas, puras, príncipes encantados e todo esse blablabla que a gente vai deixando pra trás enquanto cresce.
 Eu poderia falar tanta coisa, expor a cara de pau desse alguém sem identidade, já que tenho certeza que nem eu, e nem ninguém, sabe de quem se trata a fundo a sua "personalidade. Mas respirando um pouco, contando até 10 varias vezes, me pergunto pra que, e não, não o farei. O lado de ca do espelho sei de có e saltiado. O lado de la, o que sei já é bastante. Suficiente demais para nem se quer procurar explicações, ou da-las. Afinal, se tivesse aqui alguém que as merecesse, seria você, garota, que teve coragem o suficiente para saber tudo o que sabe, falar tudo o que disse, e ainda assim, ter toda consciência no mundo que não poderíamos nos culpar por nada. Eu particularmente, não teria o mesmo sangue frio. Mas admiro quem tem força e fé o bastante para tê-lo.
Me resumo em poucas palavras, já que é bem assim que estou: Sem palavras.
E, prefiro terminar aqui, respeitando a sua "dor", garota. Respeitando a sua escolha. Doeria muito mais a ti se eu usasse de tudo que poderia gritar agora, escancarar aos 7 ventos o lado de ca da historia (Como você fez), e te fizesse ver o que eu vejo agora, afinal, vejo muito mais do que ti, que sabe que esse ser tão bom é uma lenda urbana, mas não fazes conta da imensidão dessa mentira.Mas não! Não mereces ver tanto, já que suas escolhas são limitadas. Continua assim, sabendo um meio apenas, ou menos que isso, talvez. Tem verdades que doem mais do que as outras, e esta, você não merece.
 Hoje acordo mais um pouco. Tenho agora, total certeza, de que sim, existe tão bons atores na vida real, quanto os que vemos nos filmes e novelas. E que sim, é possível mentir olhando nos olhos.
 Passei perto de cair de cabeça em uma cilada, mas Graças a deus e a meu coração burro, que dessa vez foi mais inteligente do que eu imaginará, e me fez desviar dessa direção e fazer outra escolha, que naqueles tempos considerava a "errada".
E agora, quem diria, o melhor cara do mundo, é, na verdade, a maior decepção que eu ja presenciei na minha vida. =)

...Ou melhor dizer....Presenciamos? 


terça-feira, 27 de julho de 2010

Prazo de validade: Determinado.

É, já me acostumei com meu estado eternamente instável de espírito! Se um dia eu conseguir sentir-me estável, conseguirei, também, sentir-me bem longe de ser eu.
Sabe, deixa assim. Sem monotonia no sentir. Que mal existe em ser alguém novo a cada amanhecer? Que pecado há em retirar cada palavra dita agora, ao próximo entardecer? Que castigo terei a pagar se aceitar a condição de ser assim, um dia de cada vez, dia após dia, viver até o fim do dia?
Não prometo nada que eu não possa cumprir.
Não prometo. Nada! Nada existe que eu possa cumprir.
24h é um tempo escasso demais para qualquer promessa feita ser efetivada.
E é exatamente o prazo de validade que estipulo para cada eu que guardo aqui.
Desvencilhe-se das amarras e deixa viver. Minuto a minuto.
E ao fechar os olhos antes do adormecer, esqueça tudo, só lembre-se ao acordar, que mais um dia, deu-se motivos para acordar. Agora esqueça. Vista-se de você, o você de hoje, e vai, vive, deixa anoitecer...Deixa sentir. =)

domingo, 25 de julho de 2010

Me vê uma xícara de felicidade com bastante açúcar, por favor?


Quando a felicidade bate a porta, assim, como quem não quer nada, e se convida para entrar, o primeiro sentimento que nos desperta, ao invés de alegria, é de confusão. Sim, nos sentimos confusos, desconfiados, com medo de que tudo aquilo seja um sonho e doa ao acordar. Mas, definitivamente, esse poderia ser considerado o maior equivoco humano. Sabemos bem que ela pode mesmo não ficar por perto muito tempo, ter parado apenas para um fim de semana prolongado ou umas férias curtas na sua casa, e que quando acordar em uma manhã clara como todas as anteriores desde a sua chegada, e te olhar nos olhos falando: “ preciso ir! “, provavelmente doera muito. Mas ainda assim é importante saber aproveitá-la ao maximo, só assim quando for embora, não se sentirá terrível por ter tido a oportunidade em mãos (curta ou não) de ser feliz, e desperdiçou pensando no porquê ela estava ali, sentada na sala de estar da sua casa sempre tão vazia. Antes ser feliz por um dia, do que nunca, não é mesmo? 


sexta-feira, 23 de julho de 2010

Um ano depois, é doce lembrar.


  Hoje o dia amanheceu meio cinza. E não me refiro ao fato do sol ter se escondido e das pancadas de chuva que tem caído. Mesmo se lá fora estivesse claro, aqui dentro ainda estaria escuro...
Acho que metade de mim estava em luto, outra metade, sorria profundamente lembrando deste mesmo dia, um ano atrás. (...)

  O dia começou tarde, depois de uma noite presa ao telefone super mal dormida pela ansiedade do amanhecer e pelo peso de tanta angustia por qual passava (passávamos). E por volta das 11h da manhã estaria confirmada aquela viagem, improvisada, de ultima hora, casual e mal pensada demais.
  Sim, talvez se eu tivesse pensado um pouco mais, jamais teria aceitado o convite de um "desconhecido", que eu só havia visto de longe e por foto, que teria entrado na minha vida a no maximo um mês, mas que conhecia a vida tão afundo que parecia ser a pessoa mais confiável do mundo. Nos identificávamos intensamente, desde o momento turvo pelo qual passávamos no setor sentimental, quanto pelos gostos idênticos em tudo, desde musica a cor preferida. Desde comida a filme... E eu fui! Se minha mãe algum dia chegar a ler isso, tenho certeza que fico um ano de castigo, mas ainda assim teria valido muito apena aquela pequena insanidade. (Sem falar daquela outra fuga alguns meses após esta, mas que ai já é outra historia )
   O primeiro encontro, o primeiro abraço. E mais parecia que já éramos, de fato, amigos íntimos. Era nisso que meu pai precisava acreditar, mas acho que até nós mesmos terminamos caindo nessa.
  Viagem longa, e o que antes me fazia estar ali já não tinha mais a mínima importância. Na verdade, em tão pouco tempo nada mais importava, só a melhor companhia do mundo. Eu não teria me importado se nunca tivéssemos chegado no destino. Só de tê-lo do meu lado dirigindo, falando bobeiras e ouvindo musica, já tinha decretado o melhor fim de semana daquele ano- e de fato foi!
  Dois finais de semana era a duração do evento. O primeiro sabado foi esperado minuto por minuto por ter duas de minhas bandas favoritas e a companhia que, até então, eu almejava. As expectativas foram a mil para o mesmo. Tinha tudo pra ser, de longe, muito melhor do que o segundo (Que eu até pretendia ficar em casa). Mas quem diria, o dia mais aspirado, terminou ofuscado por este outro, tão casual e livre de expectativas... E lindo! Na verdade eu nem lembro o que tocou no ultimo sábado do festival. E nem o que eu queria assistir, mesmo sabendo bem que o motivo pelo qual eu queria ir já era mais pessoal, e até "o motivo" já havia perdido o sentido quando eu cheguei la. Não existia mais nada que me interessasse ali, nada, além DELE. Até os shows que eu odiaria ver foram lindos. E não me lembro sinceramente, desde então, de outro dia que eu tenha conseguido aproveitar mais do que aquele. Que eu tenha pulado, sorrido, tomado banho de chuva, ficado feliz e sido feliz como aquele dia!
  Agora se faz um ano. Tantas águas rolaram, tantas coisas aconteceram, tantas pessoas vieram, partiram. Mas em memória, nenhuma mais ficou como ele.
  São doces demais as lembranças, mesmo sabendo que muita coisa nele me deixou amarga no desenrolar dos panos e no passar do tempo, mas quando a maré acalma e a poeira baixa, o que fica é sempre gostoso demais de recordar.

  Acho que a partir deste dia comecei a acreditar que Deus bota anjos em nossas vidas. Ele foi um anjo, que apareceu no momento que eu menos esperava e mais precisava, me estendeu a mão e me tirou do escuro. Foi capaz de me fazer ver muito além do que até então eu insistia em enxergar, e sentir-me feliz novamente. Um anjo que foi a chave para que eu desse fim a uma historia antiga que só me devastava interiormente, e me permitisse a começar uma outra novinha em folhas. Um anjo que me fez sentir coisas inacreditavelmente intensas, em um tempo recorde. E um anjo que partiu em um tempo recorde, porém.
  Um ano é muito, diante do pouco que nos foi permitido estar próximos. As vezes considero a vida injusta por ter posto entre nós tantos obstáculos. Mas logo reflito e sei bem que tudo acontece do jeito e na hora certa, Deus sabe o que faz. E talvez fosse pra ser tudo assim, curto e cheio de lembranças boas. Foi efêmero, sim, mas, ainda assim, suficiente para que ele ficasse de algum modo em mim. É incomparável o carinho que depois de tanto tempo e de mínimos contatos, guardo por ele.
  E mesmo que nunca mais eu saiba nada sobre esta pessoa, continuará sempre aqui, nas minhas orações diárias. Sempre aqui, no porta-retrato na parede do meu quarto... E sem querer ser prepotente, sei bem que ele também está sempre aqui, lendo isso, lembrando de mim, torcendo por mim...

Portanto, hoje pra mim vai ser um dia assim, meio claro, meio escuro. Lindo por lembranças doces. Duro por saudades amargas.