Foi há um ano, quando Deus me fez pisar dentro daquela loja. Nunca foi o que eu queria para mim, mas naquele tempo era a minha única opção. Fui contratada rapidamente, e me dediquei ao Maximo para que tudo desse certo. E deu. Comecei a amar estar ali, mesmo tendo total consciência de que eu teria que procurar o meu melhor, e com certeza o melhor não seria encontrado ali. Ainda assim, passou-se um ano, e nem senti o tempo correr, só agora posso me dar conta do quanto ele voou.
Estar naquele emprego me deu muito além do que eu procurava. Muito além de dinheiro no final do mês para pagar as minhas dividas e vaidades. Me deu vontade de viver novamente, de virar páginas de minha vida que insistiam em manter-se em foco. Me deu amigas maravilhosas, e uma dose de auto-estima e independência. Me deu uma carteira de motorista, camera digital, celular, roupa, sapato, curso de inglês, mechas loiras e uns quilos a mais (rs). Mas, acima de tudo, estar ali me deu vontade de continuar buscando. Veio na hora certa, e só Deus sabe o quanto isso é verdade em cada letra pronunciada.
Construí ali uma segunda família, que em diversas épocas tornaram-se primeira. Passava há conviver mais tempo com elas do que com meus próprios amigos e familiares, e é assim que eu as vejo até hoje : Família.
Como em qualquer relacionamento que envolve pessoas diferentes, cabeças e mundos diversos, também tínhamos nossas desavenças, estresses, brigas e até nos odiávamos por algumas horas, mas cinco minutos era mais que suficiente para trocar aquele abraço com os olhos cheios de lagrimas e dizer " te amo amiga, me perdoa"
Ah, sim, lá também aprendi a pedir perdão, só para constar.
Foi a minha primeira experiência profissional, e sei muito bem que não a ultima, mas de coração, espero que a única por algum tempo. Me dói muito pensar na possibilidade de mudar de vida, de deixá-las pra trás, de congelar sonhos e recomeçar. Eu sei que essa hora cedo ou tarde vai chegar, mas prefiro estar mais preparada e conformada para enfrentar essa separação sofriguida demais para o instante.
Está sendo tão difícil saber que a partir de agora vou acordar e não vê-la mais chegar atrasada com a mesma desculpa esfarrapada todos os dias, e nem ver aquela careta idiota que mesmo depois de tantos meses vendo diariamente, ainda me arranca gargalhadas. Como continuar sem dor, sabendo que aquele meio horário vai estar vazio, e aquele som irritante da risada que só ela tem não vai mais soar diariamente entre nossos ouvidos? É difícil, parte com ela um pedaço de mim, uma parte que aprendi a amar, que aprendi a imitar até, aquela voz de menina travessa que eu adoro, e aquela carinha de garota que ainda tem os sonhos do tempo de escola, mas é muito mulher apesar de tudo. Achei, a principio, que idéia não seria tão difícil de ser digerida, mas a ficha caiu, e eu cai junto.
Ela deixa a gente, mesmo que eu saiba que ainda vamos nos encontrar um dia qualquer pra tomar um sorvete (que adoramos) e jogar conversa fora, mas também tenho plena consciência que contarei nos dedos as vezes que vou poder abraçá-la de novo em vida, já que as vidas tem caminhos tão distintos e tempos tão curtos...
Sei que o pior está apenas começando, e que tenho que me preparar para outras perdas, e até quem sabe, para ser perdida pelas que la continuarem (se), mas agora, é só isso que me vêm a cabeça. E dói.
