Eu já estava quase decorando cada fala do roteiro das minhas experiências amorosas. Sempre era quase do mesmo jeito, e já previa o começo, meio e fim. Mas, talvez cansado de ver sempre a mesma novela por tantos anos, uma vez aconteceu tudo inverso! Todas as historias com finais pouco felizes que eu conheço (inclusive as minhas), “o apaixonado” luta por meses em busca do completo esquecimento do objeto de desejo. Rolo/namoro/caso/acaso/indefinido ou seja la quantas variáveis podem ser usadas para enquadrar uma relação (ou uma não relação, dependendo do ponto de vista) com o tal objeto. Eu, também já me enquadrei inúmeras vezes no grupo acima citado, e já fiz até simpatia no dia de são Pedro na tentativa (frustrada, obvio) de trazer o meu amado de volta (Qual amado mesmo? ) Ou até, o inverso, desejei bater a cabeça e acordar com um leve probleminha de amnésia temporária....Valeria apena se fossem embora todas as lembranças daquele falecido- Sim, costumava apelida-los assim muitas vezes pelo desejo exaustivo de que fosse, de fato, verdade, e não me chame de cruel, sua ex-algumacoisa já desejou o mesmo.
Mas, teve uma vez que “ele” (meu coleguinha destino, tão lembrado por aqui ultimamente) me botou no meu caminho aquele garoto bonzinho (Rá), que, quando se foi, ao invés de me fazer querer forçar as lembranças a irem embora enfiadas na sua traseira , chama-lo, também, de falecido, e me deixar a sofrer em busca de um meio de despitar as muitas recordações que restassem, me fez querer fazer exatamente o inverso!
Segurei firme cada memória boa, peneirei os fatos, e deixei ficar apenas aqueles que fossem agradáveis de lembrar...Ignorando o grande volume que as más recordações faziam no meu lixo mental (nem sempre reciclado).O que sobrou de “guardavel” (Adicionem essa palavra ao seu dicionário, colega hehe) e amável, colei na parede do meu cérebro, e quase me obriguei a fazer horas diárias de exercício mental para nunca esquecer de lembrar.
Era difícil impedir que os sorrisos não fugissem as vezes, e que tudo não se perdesse no esquecimento com o passar do tempo...Talvez tenha sido a tarefa mais ardua que eu tenha tentado cumprir....Afastar um sentimento é duro, mas obriga-lo a manter-se próximo também exige muita dedicação.
Só que, vejam só...As verdades não desejáveis que tentei descartar resurgiram das cinzas, só para fazer juz aquele ditado popular que diz que a verdade sempre aparece e que a justiça tarda mas não falha...E tudo foi cuspido na minha cara sem aviso prévio nem pedido de licença pra entrar na minha casa e deixar tudo de cabeça pra baixo.
E eu fiquei com raiva....Sim, com raiva. Mas não foi raiva dele (mesmo você sendo, na verdade, um filho da puta! ¬¬ ), nem dela, nem de ninguém...Foi de mim! Ódio por não ter sentido raiva! Por perceber então que eu falhará todos esses meses, ano...Na tentativa quase frustrada de guardar algo bonito daquela “istoria história”...Que na verdade, de bonito só tinha o conto de fadas e a farsa perfeitamente fantasiada de bondade e sinceridade!
Não houve reação dentro de mim 30 min após os 5 min reveladores. Talvez eu me sentisse melhor se houvesse me sentindo profundamente triste...Mas não foi assim. Me senti profundamente chateada, é verdade, mas foi pelo simples motivo de não sentir!
Resumindo em meados, Simplesmente, já não sentia mais nada, mesmo querendo sentir. Já nem se quer, estava triste.
