quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Efemero demais para se amar.

Sabe o que eu mais odeio em mim? O fato de ainda conseguir me decepcionar com as pessoas. Sim, eu devia já ser grandinha o bastante para esperar de cada um que entra em minha vida, completamente tudo. Ou completamente nada. Mas não importa quantas vezes aconteça, quantos deles se mostrem cedo ou tarde um lobo mal fantasiado de boa vovozinha, eu ainda fico anturdita. Antes parasse só no ficar pasma, mas não, normalmente vai mais além. Meche com o meu sentimental, fico triste, chateada, decepcionada, magoada... E depois de tudo, termino por me sentir completamente burra por permitir sentir tudo isso mais uma vez, por esperar mais uma vez, por achar que conheço a todos que me rodeiam, e por considerar qualquer um que de repente entra na minha vida, me da uma meia duzia de sorrisos, momentos felizes e provas descartaveis de amizade, de fato meu amigo eterno e inseparavel.

E com tudo isso, me prometo, não pela primeira ou decima vez, fato, mas ainda assim, comprometo-me a mudar isso em mim. A parar de ver os momentos bons e as pessoas que chegam do nada como solidas. Não me admirar mais com a efemeridade de tudo ao redor, e aproveitar os sorrisos, sem esperar nada mais dele, do que aqueles e um adeus em seguida. A vida é assim mesmo, um amotoado de leva e trás, de vem e vai, de chegadas e saidas, felicidades e lagrimas, boas vindas e partidas...E a unica coisa com a qual eu espero não perder mais tempo é com decepções pelas mudanças que o tempo insiste em implantar nas relações jamais solidas e eternas. Por que NADA, nada é certeza. Tudo pode mudar tão rapido quanto o tempo que se leva para piscar os olhos.



domingo, 26 de setembro de 2010

Meu momento. Meu segundo.


Momento.
O que faz de uma fração aleatória de segundos, o momento certo? Ou, de contrapeso, o momento errado?
Será que está tudo relacionado as pessoas envolvidas na "equação" em jogo? Ou realmente é algo místico, de tempo, de hora, de momento?

Parece realmente um toque de mágica, quando todos os seus sentidos conspiram pra fazer de um segundo, o segundo ideal para tudo acontecer. Seu relógio biológico trabalha arduamente a favor, para que não passe nem falte nenhum segundo. Quando o despertador indica que chegou a hora, seu coração se abre, dobra de tamanho, pronto pra receber de braços abertos, pronto para doar-se.
Seu momento chegou. Você já é demais pra caber em só um ser. Necessita, como que em vida e morte, dividir-se. Involuntariamente, inicia-se uma busca por outro coração apertado, por outro sorriso largo disponível, por vãos em mãos frias.
Quando o encontro acontece, congratilation. Tudo indica que essa soma dê bons resultados, e que pelo menos, ambos tenham muita vontade de que tudo dê certo. Um completa o vazio interior do outro, o frio nas pontas dos dedos, tanto das mãos quanto dos pés.
Mas a parte menos bonita de tudo isso, é que normalmente esse encontro não acontece. Parece que o mundo conspira contra, se diverte, vendo você quase explodindo com tanto amor pra dar, vendo seu tempo passar vagarosamente e friamente, enquanto você chora por dentro por sentir-se tão só.
E quando acontece, a reciprocidade é sempre rara. Um coração quente jamais vive em comum acordo com um congelado pela espera e pelo tempo que se passou. Quando o momento certo não desperta dentro dos dois, o caminho é, no mínimo, exaustivo para o que ja encontra-se prontinho pra fazer o seu melhor e correr pro abraço.
E ai o tempo passa, depois corre, e você se acostuma a espera, ao gosto de sua língua, e de mais ninguém. Começa a ver que o encaixe das suas mãos podem ser encontrados na sua outra. Que os pés são facilmente aquecidos com meias, e que aquela musica que diz que ninguém é feliz sozinho talvez não esteja assim tão certa.
O tempo passou, as flores que haviam sido plantadas no seu jardim morreram, tudo congelou. E é normalmente ai, que você encontra o maior numero de corações na sua caixa de correio, de sorrisos sinceros e boas oportunidades. Mas o cheiro poderia ser melhor, se você pudesse receber flores sem achar retrogrado e ridículo demais.
O amor é o ridículo da vida. E só se pode amar, quem está pronto para ver graça em tudo isso.
O amor é muito simples. Mas nem sempre o simples é simples.
É muito fácil encontrar alguém que nos complete, que nos faça bem, que nos faça sorrir, que nos deixe com vontade de voltar tarde pra casa. O difícil (e gostoso) da vida é encontrar alguém a quem amemos alguém que nos ame. É encontra-lo no seu momento, no nosso momento, e acreditar no cliche de " viveram felizes para sempre!"


terça-feira, 21 de setembro de 2010

A culpa é do álcool, sim!




Um numero elevado dos leitores desse post devem estar se identificando com a expressão acima citada, se não, todos. Quem nunca ouviu alguém botar a culpa nele, nossos companheiros (e destruidores) de noitadas? Quem nunca ouviu, vai ouvir. E quem nunca usou tal, vai usar, ou segue alguma religião que proíbe seu consumo. Cedo ou tarde, passamos pela (desagradável) situação de acordar com aquela dor de cabeça, e fica em duvida do quanto é devido a ressaca pós-excesso ou peso na consciência pós...Bem, excessos poderia ser um termo bem empregado para a segunda situação também.
No começo tudo é muito divertido. Alguns copos são suficientes para deixar alguém no brilho (no meu caso, especificamente, alguns copos são mais que o bastante para me fazer vomitar metade da noite, e não lembrar de nada no dia seguinte) mas o problema é que normalmente não paramos ai, e não paramos, até nossos sentidos pararem de responder. Terminamos a noite jogada em algum canto, vomitando nos nossos pés, e tentando comunicar-se com os demais a sua volta em alguma língua indígena desconhecida (graças a deus não conseguimos, ou aumentaria o numero de itens na lista de suicídio social.) Subimos na mesa, beijamos o cara mais feio da festa, pegamos briga de graça, tiramos a roupa, contamos todos os segredos íntimos (nosso e dos demais que encontram-se no local), amamos todo mundo e voltamos para casa, normalmente carregados e observados por todos no local que são obrigados a abrir espaço para que o grupo desesperado nos carregue até um local previamente definido, antes que você, o ser quase em coma alcoólico e sem condições alguma de reagir, vomite para todos os lados e em todas as mãos que te socorrem. A parada normalmente é em algum hospital próximo para tomar um pouco de soro, um tapa na cara do seu pai que teve que acordar no meio da madrugada para socorrer a filha/filho invalido e desfalecido, ou a casa de algum amigo, na tentativa de evitar a tal bofetada.

Passou. Você acordou no outro dia. Ou melhor, passou o pior, por que aquela sempre esperada dor de cabeça parece que só faz piorar. Tudo continua a girar, e você se odeia por estar daquele jeito, promete a São longuinho que se lembrar de tudo da três pulinhos, e aos demais Santos que nunca mais poe uma gota de álcool na boca.

Quando o pior parece ter passado, eis que surgem os malditos telefonemas com o bombardeamento de memórias esquecidas, e dentre muitas delas, demasiadamente exageradas (Sempre tem aquele que adora ficar sóbrio só pra ter o prazer de matar os ébrios de vergonha no outro dia). É à hora de sentir-se ainda pior, e enxaqueca confundir-se com um puta peso na consciência e uma sensação de inutilidade imensa por não conseguir lembrar de nada mais do que leves flesh’s que vão e vem na sua memória recente e corrompida. E pior, pela falta de controle de si. ,
 E a partir dai você vai viver sem saber até onde é verdade o que foi dito, e se perguntando por um bom tempo como foi capaz de deixar tudo chegar aquele ponto. Rodeado de duvidas de como tudo aconteceu, e quantas pessoas conhecidas viram cada cena, a ponto daquilo rodar de boca em boca, e você cometer um suicídio social sem volta. Pra diminuir um pouco daquela culpa, eis que surge ela, a velha e boa expresão: "A culpa é do álcool!!!". E pior que é mesmo (não em todos os casos, claro). Não duvide se seu namorado um dia tentar justificar algo com ela (Mentira, duvide, afinal, ele é homem hehe machismo mode on). Termine, jogue a aliança na cara dele, a tv, o guarda roupa...Mas “acredite”! Quem nunca passou por tal experiência sempre vai duvidar, mas quem já teve historias pra contar (normalmente desagradáveis), e pôde sentir o peso de cada vez que o telefone tocava com uma novidade no dia seguinte, entende bem.

Pronto. Daqui a umas duas semanas ninguém lembra mais de nada (talvez uma pessoa ou outra ainda fale da cena onde você mostrou os peitos e dançou na 7ª velocidade) e estamos todos de volta, a uma mesa de bar, jogando algum joguinho pra ficar bêbado, e com mais (meias) historias pra contar, já que a outra metade só quem poderá contar é seu colega menos bêbado que vai lembrar de tudo no outro dia.


domingo, 19 de setembro de 2010

Desencaixote os meus valores morais, e leve todo o resto embora.

Somos um corpo. uma roupa. Um principio.
Lutamos por uma idéia, batemos o pé por um ideal.
Defendemos nossos pontos de vista avidamente. Damos um dedo, uma orelha, um pulmão pelo que acreditamos ser correto. Julgamos o errado.

De repente, trocamos de roupa. Seja qual for o motivo interno, externo...Perceptivelmente ou não, Enfim. Somos o mesmo corpo, com outras vestimentas. Desconfortável, apertada, nem um pouco nossa cara a princípio, talvez. Mas tudo é apenas questão de adaptar-se. E com o tempo, tudo aquilo parece que nunca pertenceu a mais ninguém que não seja você, eu, nós...

Moldamos cada cm de nosso ser para caber no novo espaço. E, sem perceber, mudamos também nossa cabeça. Praticamos a quebra de braço, só que agora, por outros idéias. Defendemos novos conceitos, que vieram grátis naquela blusa nova inicialmente esquisita.
Mudam-se, compasivamente, objetivos, sonhos, visões, sentimentos. A única coisa que sobram são os princípios, aquela coisa que ta no sangue, sabe como é? Mas, que ainda assim, muitas vezes são esquecidos na gaveta por tempo indeterminado.

E este ciclo recomeça, vai, volta, muda, mas nunca para. Vivemos uma eterna metamorfose. Mudamos de cabelo, de cor de pele devido ao clima do local em qual passamos a viver, de estilo de calça comprida, tempos mais folgadas, outros, mais ajustada. Mudamos também, de tamanho de salto alto. Mudamos de voz, de costumes, do modo de rir, do tom com que falamos, e as expressões utilizadas. Mudamos de casa, de emprego, de cidade, de amigos, de namorado. Deixamos de gostar de animais de estimação, e preferimos morar no ultimo andar ao invés de morar em casa. Mudamos o paladar, o conceito de beleza, de certo, de errado, de concreto e abstrato. Volta e meia nossos princípios se embaraçam, ficam confusos, desnorteados...E do nada percebemos que já não somos nós. É uma alma em um corpo perdido. Uma alma, em uma cabeça quebrada. Uma alma límpida, mas agora sem uma digna morada.

E no dia que a ficha cai e nos damos conta de tudo isso, fazemos a velha limpeza pouco rotineira no guarda-roupa, jogamos tudo fora, e vestimo aquela blusinha simples e colorida, já com cheiro forte de mofo e desbotada pelo tempo chamada essência, mas ainda assim, tão nossa.
É o nosso principio que está ali. Somos nós. E assim, só assim, posso ser de novo quem sempre pensei ser e tanto me orgulhei um dia. O resto, mando o carro de mudanças levar de volta do lugar que tirei, usei, e constatei, não me serve em nada.


quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Mil vidas em apenas uma existência.


E, sem qualquer tipo de aviso prévio, você se pega a transportar-se de volta ao passado e viver momentos que a tanto já despediu-se. E não importa se fazem meses ou anos que tudo sucedeu-se, aperta no peito a falta como se fizessem parte do hoje. E, quase relutante, você acorda com um estalo ao lado de seu ouvido que te traz de voltar ao presente. É o mundo real dizendo " oi, tem alguém ai?". E, você entorpecida pelas doses quase alcoólicas de lembranças que a deixam completamente ébria por alguns instantes. Nos segundos seguintes tudo para de rodar, e seu olhar volta a focar o presente momento, fazendo lembrar que tudo aquilo já se foi a longas datas e que o tempo muda muita coisa. Não somente, como mudou quase tudo ao redor e o meio onde se vive já é completamente estranho diante do que agora a pouco formou-se em sua mente.
  É natural que nesse choque de abstinência te venha o ontem, e chegue até a apertar no peito. Tudo o que foi bom deixa um gosto doce nos lábios, que sempre será satisfatório demais de se provar novamente. Mas a verdade é que tudo não passa de lembranças, e essas não devem jamais trazer consigo dor e desespero, já que o ponteiro do relógio nunca para, e a vida passa depressa demais, mudando tudo, levando tanto consigo, e nos dando presentes novos a cada novo dia. Agradeça a esse Deus poderoso, o tempo, por dar-nos a oportunidade de virar as páginas já surradas e gastas de nossas vidas, de começar de novo. Viver mil e uma vezes em apenas uma existência. Diga um muito obrigado por mudar tudo, e só assim, dai-nos a chance de mudar junto, crescer e descobrir-se, de ser feliz de um jeito diferente a cada novo amanhecer.
 É verdade que muita coisa se perde ao decorrer dos caminhos pelos quais seguimos, mas se paramos para analisar, quanto não se acha junto, lado a lado de cada partida, vemos sempre uma chegada. E, em meios a tantas idas e vindas, quanto não nos achamos.
 Desate os nós do passado, desvencilhe-se daquela tecla do seu teclado mental que diz "foi bom e ainda pode ser". Nem sempre as coisas seguem os mesmos roteiros dos filmes de romance. Nem sempre (quase nunca, pra ser mais exato) o mocinho do começo será o mesmo que te carregará no colo no final da trajetória depois de ouvir um " e foram felizes para sempre". No nosso mundo, tudo, infelizmente, tem começo meio e fim. Nasce, cresce e morre...É a lei da vida. Aprendemos isso na aula de ciência na 2ª serie. E se hoje, o ontem morreu, não existe nenhum por que de tentar parar o tempo, e trancar-se no seu quarto, languido, com milhares de perguntas sobre o que e o porquê não foi, não passa de desperdício de minutos valiosos de vida. Perceba, as respostas sempre aparecem, mas somente quando elas já perderam o foco principal em sua vida. Talvez seja assim para que possamos aprender que não adianta perder tempo demais com perguntas, a vida continua, e só o passar dos dias pode atenuar as nuvens negras e cinzentas diante de seus olhos, e mostrar toda a realidade
 Abra a janela e se jogue pra vida, procure um começo novo, um amor novo, sorriso, e até quem sabe, um corte de cabelo novo. Tudo que temos só é valido e gratificante de fato quando faz bem, o resto não passa de meio, pouco e insuficiente de sentimento. Pois pouco amor não é suficiente pra me fazer sentir frios na barriga e êxtases de felicidade como a alguns meses atrás de algum grande amor entrar em declínio, e se tornar a cada dia, a cada magoa, a cada prova de não amor, um pouco menos amor...E é ai que você se da conta de que está na hora de abandonar o velho ciclo e deixar o tempo recomeçar um novo, com cheirinho de recém comprado, e pronto pra te fazer perder a cabeça mais uma vez por algum tempo, longo ou curto, mas apenas um tempo.Afinal, a vida é isso, uma constante mudança, um grande ciclo de idas e vindas, fins e começos, altos e baixos, picos e declínios...E a graça está em aprender a cada dia a ter jogo de cintura pra passar por tudo isso de cabeça erguida e sem perder o sorriso no rosto e a vontade de recomeçar mil e uma vezes, se necessário.