quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Mil vidas em apenas uma existência.


E, sem qualquer tipo de aviso prévio, você se pega a transportar-se de volta ao passado e viver momentos que a tanto já despediu-se. E não importa se fazem meses ou anos que tudo sucedeu-se, aperta no peito a falta como se fizessem parte do hoje. E, quase relutante, você acorda com um estalo ao lado de seu ouvido que te traz de voltar ao presente. É o mundo real dizendo " oi, tem alguém ai?". E, você entorpecida pelas doses quase alcoólicas de lembranças que a deixam completamente ébria por alguns instantes. Nos segundos seguintes tudo para de rodar, e seu olhar volta a focar o presente momento, fazendo lembrar que tudo aquilo já se foi a longas datas e que o tempo muda muita coisa. Não somente, como mudou quase tudo ao redor e o meio onde se vive já é completamente estranho diante do que agora a pouco formou-se em sua mente.
  É natural que nesse choque de abstinência te venha o ontem, e chegue até a apertar no peito. Tudo o que foi bom deixa um gosto doce nos lábios, que sempre será satisfatório demais de se provar novamente. Mas a verdade é que tudo não passa de lembranças, e essas não devem jamais trazer consigo dor e desespero, já que o ponteiro do relógio nunca para, e a vida passa depressa demais, mudando tudo, levando tanto consigo, e nos dando presentes novos a cada novo dia. Agradeça a esse Deus poderoso, o tempo, por dar-nos a oportunidade de virar as páginas já surradas e gastas de nossas vidas, de começar de novo. Viver mil e uma vezes em apenas uma existência. Diga um muito obrigado por mudar tudo, e só assim, dai-nos a chance de mudar junto, crescer e descobrir-se, de ser feliz de um jeito diferente a cada novo amanhecer.
 É verdade que muita coisa se perde ao decorrer dos caminhos pelos quais seguimos, mas se paramos para analisar, quanto não se acha junto, lado a lado de cada partida, vemos sempre uma chegada. E, em meios a tantas idas e vindas, quanto não nos achamos.
 Desate os nós do passado, desvencilhe-se daquela tecla do seu teclado mental que diz "foi bom e ainda pode ser". Nem sempre as coisas seguem os mesmos roteiros dos filmes de romance. Nem sempre (quase nunca, pra ser mais exato) o mocinho do começo será o mesmo que te carregará no colo no final da trajetória depois de ouvir um " e foram felizes para sempre". No nosso mundo, tudo, infelizmente, tem começo meio e fim. Nasce, cresce e morre...É a lei da vida. Aprendemos isso na aula de ciência na 2ª serie. E se hoje, o ontem morreu, não existe nenhum por que de tentar parar o tempo, e trancar-se no seu quarto, languido, com milhares de perguntas sobre o que e o porquê não foi, não passa de desperdício de minutos valiosos de vida. Perceba, as respostas sempre aparecem, mas somente quando elas já perderam o foco principal em sua vida. Talvez seja assim para que possamos aprender que não adianta perder tempo demais com perguntas, a vida continua, e só o passar dos dias pode atenuar as nuvens negras e cinzentas diante de seus olhos, e mostrar toda a realidade
 Abra a janela e se jogue pra vida, procure um começo novo, um amor novo, sorriso, e até quem sabe, um corte de cabelo novo. Tudo que temos só é valido e gratificante de fato quando faz bem, o resto não passa de meio, pouco e insuficiente de sentimento. Pois pouco amor não é suficiente pra me fazer sentir frios na barriga e êxtases de felicidade como a alguns meses atrás de algum grande amor entrar em declínio, e se tornar a cada dia, a cada magoa, a cada prova de não amor, um pouco menos amor...E é ai que você se da conta de que está na hora de abandonar o velho ciclo e deixar o tempo recomeçar um novo, com cheirinho de recém comprado, e pronto pra te fazer perder a cabeça mais uma vez por algum tempo, longo ou curto, mas apenas um tempo.Afinal, a vida é isso, uma constante mudança, um grande ciclo de idas e vindas, fins e começos, altos e baixos, picos e declínios...E a graça está em aprender a cada dia a ter jogo de cintura pra passar por tudo isso de cabeça erguida e sem perder o sorriso no rosto e a vontade de recomeçar mil e uma vezes, se necessário.