É...Tarefa difícil essa de entender as coisas, as pessoas, os sentimentos e sensações, a vida. De reconhecer de longe o cheiro de furada ou ter a certeza de que posso abrir a porta e deixar o odor doce entrar e tomar toda a minha casa.
Difícil conhecer as pessoas de verdade, esperar delas o exato, e não decepcionar-se.
Difícil, a certeza de que está fazendo o certo ou o errado, que os frutos do que se planta serão grandes e saborosos e que não iremos perder tempo ao tentar.
Eu tento domar minhas sensações, parar de dar passos em falso, perder tempo com o que não acrescenta e escolher a dedo o que entra e o que sai, mas o problema é que ainda assim, mesmo após pesar, pensar e analisar o que eu VEJO, que é também o que eu IMAGINO e não necessariamente condiz com a realidade, termino escolhendo meio as cegas, arriscando como sempre, a bater a porta na cara do que, no final, valeria a pena deixar sentar a sala de estar e oferecer um café bem quente pra começar e deixar morar. E às vezes, deixando entrar aquele ou aquilo que bagunça, tira tudo do lugar, e vai embora, sem nada deixar de mais, levando consigo muito mais só que ficou.
Cansada de errar, de arrumar toda a bagunça depois de cada festa alheia, decidi trancar tudo. Ficar sozinha por um tempo às vezes faz bem.
