Tudo aconteceu em um daqueles momentos que não se pode impedir da mente voar longe, sabe?
Sim, aqueles, talvez em um banco de ônibus, uma fila de banco longa, ou em meio a uma aula chata. É nessas horas que me vêem as melhores reflexões. Pena que termino as perdendo antes de poder anotar num bloquinho de papel pra reler mais tarde e até quem sabe, me fazer novas promeças, daquelas que fazemos por toda vida, na intenção de um futuro melhor, mas que exatamente na hora que deveríamos lembrá-las, elas se diluem no vento, votando mais tarde pra pesar a consciência.
Hoje foi um dia cheio e vazio. Vazio, pra não perder o costume. E cheio de pensamentos desse tipo, de frases que mais pareciam feitas, que eu anotaria pra repassar aos meus filhos, mas na grande maioria, esqueci antes de chegar em casa.
Foi um dia cheio de filas e de ônibus. De vagar por ai, pelo nada, pela minha vida passada e tentando arrumar meu futuro duvidoso.
São tantas coisas que eu penso que poderiam melhorar, mudar, se encaixar e se acertar. Tanto que eu gostaria pra enfim dizer, estou feliz, sou feliz, ou sei la quanto tempo vou achar que vai durar aquilo. Mas foi aqui que me veio Um pensamento que nunca havia batido a porta da minha cuca antes, mas dessa vez, entrou, e foi dono de cada minuto do meu dia: Que felicidade?
Isso mesmo. Se paramos pra prensar, hoje afirmamos que já tivemos tempos melhores, mas no tal tempo melhor, que mais parece lenda urbanas, também achávamos que nem tudo estava assim tão bem. É natural do ser humano nunca se contentar com nada, mas termina sendo natural nunca SER feliz. Estar feliz é até fácil. Estar feliz numa noite de sábado tomando uma cerveja gelada com os amigos. Estar feliz quando se estar bem com o namorado. Estar feliz quando brinca com o cachorro no quintal. Mas e o SER feliz, cadê? Somos todos treinados a conforma-se com o fato de que nada dura, e isso até pode ser verdade. Mas o caos de tudo isso é que nunca conseguimos sentir-se feliz por longo prazo. Sempre falta algo. A busca é eterna, e infelizmente andamos em círculos. Quem tem muito, quer mais, e o mais nunca parece suficiente.
É uma faca de dois gumes. Querer o melhor é sempre bom, mas nunca sentir-se satisfeito te leva a viver uma eterna busca, uma eterna perda de presentes, uma perda de uma vida por algo que nem você mesmo sabe o que é.
E isso me deixou atordoada, pois é nessa inércia que eu vivo. Uma busca, que ainda não conseguir dar um nome, e talvez nunca consiga.
Sentido que não posso fazer nada para mudar uma existência, parei, senti o cheiro de gente e planta do ar, o cheiro de vida e o sol na pele. E tentei pensar por um minuto, que tudo está bem. Mesmo que as faltas doam volta e meia, e sempre doeram pois sempre existiram, naquele minuto, eu consegui viver o momento, sentir a vida na pele, e ser feliz...
Nos minutos seguintes, voltei a me perguntar pra onde caminho, e a me preocupar com o tempo que ainda terei de esperar pra que minha vida seja a vida que eu sempre quis. Talvez nunca chegue a ser.
