A verdade é que tenho andando cheias de ausências, mesmo que evite quase sempre de admiti-las....
Ausências de alguém do lado nas filas imensas que enfrento no banco.
Ausência de alguém pra ficar deitado nos domingos intermináveis.
Ausência de ligações infundadas no meio da madrugada pra dar um boa noite.
ausência de uma voz que me faça estremecer e nem ligar por ser acordada;
de um sorriso que rime com o meu como musica, e que, automaticamente, sorrindo, me faça sorrir também.
Ausência de esperas. De frios na barriga e de duvidas gostosas.
ausências do querer, do lutar, do buscar, do conquistar.
ausência de dedos, de encaixes, de mãos suadas, mas ainda assim, inseparáveis.
ausências de pés nos pés, de beijo na ponta do nariz e de abraços com mais de 30 segundos
Ausência de esperas, de contagem regressiva, de saudade, de vindas e partidas.
Ausência das horas na frente do espelho, do desperdiço de pó compacto e batom que logo será retirado.
Ausência dos cinemas no fim da tarde e da pipoca no sofá de casa.
Ausência de fotos felizes. De ver o amor estampado e congelado, fingindo ser eterno.
ausência de medo de perder. De cuidado. De palavras verdadeiras, sentimentos e reciprocidades.
Ausência de sentir. Sentir algo mais, algo que dê aos meus dias um gosto a mais de acordar e pentear o cabelo animada.
São tantas ausências que me obrigo a parar. Antes que não consiga parar nunca mais de citar...
Antes que eu não consiga parar nunca mais de sentir essa ausência do sentir.
