Que familias morressem juntas!
É injusto demais ter que aprender a viver com a ausência.
E como continuar a chamar de vida sem aquela outra vida, que na realidade era grande responsável de faze-la ser completa?
Depois que ele se foi, perdi no caminho o valor da mesma.
Junto com as cores e os sorrisos que ele me levou.
Junto com os sonhos que enterrei junto com ele.
junto com uma parte da minha vida, que as vezes acho que é grande demais pra que eu me sinta no direito de continuar achando que tenho uma.
Familia foi feita pra estar junta. Pra que parti-la assim, Deus? Cruelmente, e deixar os que sobram aqui, padecendo de tanta falta?
É...Tai algo que eu não aprendi na escola, nem recebi curso preparatorio.
E agora? Quem vai me ensinar a voltar, verdadeiramente, a respirar?
Sem sentir que tenho fagulhas de vidro nos pulmões?
E sem lembrar que em algum segundo, ele parou de respirar?
Quem vai me ajudar a não ver em cada dia um caminho cada vez mais longo?
Passei por tantas coisas que considerei difícil
Chorei tantas vezes achando insuportavel
E agora vejo que nenhuma delas foi simplesmente nada
Difícil é isso, acordar e ver tantos espaços vazios
Ouvir o silêncio que a ausência dele deixou
E ter que se contentar com o sorriso que ficou no porta-retrato
Difícil é ter a obrigação de continuar vivendo todos os dias como se fosse exatamente como os anteriores
É ser forte e não admitir pro mundo que a dor não passa
e que a dor faz parte de mim agora
e que metade de mim é dor e a outra se divide entre angustia e saudade
É ter que fingir que apesar de tudo, continuo feliz
Mas no fundo saber que nada mais será completo sem a parte de mim que ele levou
Talvez quando eu conseguir sentir o remédio do tempo(que eu não vi ainda fazer nenhum efeito além dos colaterais), eu consiga tirar um coelho da cartola, achar um por que em tanta dor, e ser alguém realmente melhor...
Mas enquanto isso, só acho motivos pra achar egoísta dar uma vida a outra, e tirar sem mais nem menos.