terça-feira, 21 de dezembro de 2010

A ausência.

A verdade é que tenho andando cheias de ausências, mesmo que evite quase sempre de admiti-las....
Ausências de alguém do lado nas filas imensas que enfrento no banco.
Ausência de alguém pra ficar deitado nos domingos intermináveis.
Ausência de ligações infundadas no meio da madrugada pra dar um boa noite.
ausência de uma voz que me faça estremecer e nem ligar por ser acordada;
de um sorriso que rime com o meu como musica, e que, automaticamente, sorrindo, me faça sorrir também.
Ausência de esperas. De frios na barriga e de duvidas gostosas.
ausências do querer, do lutar, do buscar, do conquistar.
ausência de dedos, de encaixes, de mãos suadas, mas ainda assim, inseparáveis.
ausências de pés nos pés, de beijo na ponta do nariz e de abraços com mais de 30 segundos
Ausência de esperas, de contagem regressiva, de saudade, de vindas e partidas.
Ausência das horas na frente do espelho, do desperdiço de pó compacto e batom que logo será retirado.
Ausência dos cinemas no fim da tarde e da pipoca no sofá de casa.
Ausência de fotos felizes. De ver o amor estampado e congelado, fingindo ser eterno.
ausência de medo de perder. De cuidado. De palavras verdadeiras, sentimentos e reciprocidades.
Ausência de sentir. Sentir algo mais, algo que dê aos meus dias um gosto a mais de acordar e pentear o cabelo animada.

São tantas ausências que me obrigo a parar. Antes que não consiga parar nunca mais de citar...
Antes que eu não consiga parar nunca mais de sentir essa ausência do sentir.




segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

As dores e os desencontros valem apena quando achamos a felicidade.

se apaixonar....Sentimento que cedo ou tarde bate a porta até do mais duro dos corações, na verdade nunca vem sem avisar. É como doença, que manda mensagens pouco significativa, tipo o parente distante, que envia uma carta pequena avisando da provavel chegada, normalmente ignorada pelo receptor. E quando chega, sente-se despreparado para receber, confuso e atordoado. Não sabe o que se passa, ou finge, por que a verdade é que todos sabemos bem como tudo acontece, as mudanças climaticas no estomago, e a alternância frequênte dos ritmos cardiacos. Os sorrisos largos pré encontro, mesmo que esse encontro não seja necessariamente a dois. Aquelas falas decoradas na frente do espelho, e o sentimento de volta a 2ª serie, sabe? O medo de fazer tudo errado, e muitas vezes, o fazer tudo errado. As mãos que tremem a presença, a anciedade pela chegada, a tristeza pela partida, a espera pela volta. A graça que tudo e todos ao redor parece perder. Os olhos que so vêem a frente uma unica possibilidade: Ele/ela. Mas apesar de tudo isso ser quase universal e de passarmos por tal situação centenas de vezes em vida, ainda é dificil admitir, realmente, estar apaixonado.
 Na verdade, não entendo o sentido em negar e renegar um sentimento tão bem vindo, lindo, que enche de cores o amanhecer de qualquer um. Exeto pelo fato do medo da não reciprocidade, que convenhamos, sem querer ser pouco otimista, tem indices altissimos. O desencontro é frequente, e parece que bem mais comum do que o encontro de dedos e planos. Esse fato comprovado deixa algo tão especial a beira de ultrapassar a linha que divide o lindo do tenebroso. Nunca se sabe se deve-se ficar feliz com as borboletas, ou sair correndo pra bem longe.
 As vezes me pego tentando entender que fator biológico, social ou seja la o que for, explica o nivel elevadissimo de rejeição da paixão pelo seu alvo de desejo. É nessa hora que se enquadra perfeitamente o poema de Carlos Drummond que diz "João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amavaJoaquim que amava Lili que não amava ninguém." . E dizem por ai, que feliz era Lili, que era amada e não sofria. 
Mas devo descordar. Não em numero genero e grau, já que desconheço até hoje uma dor maior do que ver seu alvo de desejo desejando outra pessoa. Mas não posso considerar feliz aquele que tem o poder e o azar de não amar ninguém. Amar é maguico, necessario e unico. Vivemos uma vida esperando um amor. Sorte aqueles que o acham, mesmo que nos enrolemos milhares de vezes nos nós cegos dessa busca, e nós deparemos com milhares de rejeições e desencontro. Milhares de noites mal dormidas e lagrimas no travesseiro. Milhares de semanas de cara enchada achando que o mundo não faz sentido algum...Para que possamos descobrir mais a frente que faz, e que outra pessoa virá, talvez para virar tudo de ponta a cabeça mais uma vez, mas uma hora, a certa chega, os olhares se encontram, e ai sim podemos dizer que finalmente fomos felizes de verdade, pelo menos enquanto o tempo e a vida nós permitir... Seja esse tempo longo ou curto, o que importa é saber aproveitar cada segundo de recompensa pela árdua espera que Deus te deu.





Uma triste realidade

H: - Oi.
M: - Oi.
H: - Eu estava te olhando de longe… Você vem sempre aqui?
M: - Só quando eu estou com vontade de fazer xixi. Quem te deixou entrar no banheiro das mulheres?

H: - Entrei escondido queria falar com você.
M: - Não podia esperar eu terminar primeiro?
H: - É que eu sou muito ansioso…Não é sempre que se encontra a mulher da nossa vida numa festa de formatura.
M: - Mulher da vida de quem?
H: - Da minha vida.
M: - Que espécie de maluco é você?
H: - O homem da sua vida!
M: - Como é que é?
H: - Sou o cara que nasceu pra casar e ter filhos com você.
M: - Essa é a sua melhor cantada?
H: - É sério… vamos conversar.
M: - Quer fazer o favor de fechar essa porta? Eu ainda não terminei.
H: - Desculpe. Um homem sabe quando avistou a mulher ideal. Geralmente ela é bonita, sexy, tem gostos refinados e inteligência suficiente para ignorar suas gracinhas. É fina, detesta vulgaridades.
M: - Me deixa vomitar em paz?
H: - Achei que você só estivesse apertada.
M: - O que eu faço no banheiro não é da sua conta.
H: - Eu me importo com você.
M: - Socorro, tem um homem aqui dentro.
H: - Psiuuuuu, não grita, eu só quero saber seu nome.
M: - Eu to bêbada demais pra saber meu nome.
H: - Também estou um pouco tonto, confesso. Viu como a gente combina?
M: - Sai daqui e fecha essa porta antes que eu te jogue esse balde de lixo na cabeça.
H: - Algumas pessoas passam a vida toda procurando por um amor perfeito. Alguém que te complete e ajude no que for preciso, faça companhia em todos os momentos.
M: - Cara, como você é chato.

H: - Melhorou?
M: - Não acredito que você me assistiu fazendo aquilo.
H: - Foi a coisa mais linda que eu já vi.
M: - Acorda, seu idiota. Eu botei um pão de batata pra fora.
H: - Eu também adoro pão de batata com tequila.
M: - Espirrou em você, seu porco.
H: - Eu não ligo. Seu vômito é o meu vômito.

M: - O que eu fiz pra merecer um maluco desses atrás de mim?
H: - Tem coisas que só o destino pode explicar.
M: - De que planeta você veio? Larga do meu pé, chulé.
H: - Só você não percebeu que isso tudo não foi por acaso.
M: - Você me seguiu, eu pedi ajuda, ninguém te tirou do banheiro, eu te dei um banho de bolo de chocolate e cerveja.

H: - Nosso primeiro encontro…
M: - Nada disso é um encontro. Sai da minha frente.
H: - Não posso abandonar a mulher da minha vida.
M: - Que papo é esse? Deixa-me ver o que colocaram no seu whisky?
H: - É sério, nunca ouviu falar nisso?
M: - Whisky com bolinha alucinógena? É claro que sim. Nunca aceite o copo de um estranho.
H: - Nós somos o casal ideal. Nascemos um pro outro. Sabe quais são as chances disso acontecer numa festa de formatura? Uma em cada 150 milhões.
M: - Bem menores do que as chances de eu te dar uma porrada.
H: - Você não faria isso com seu futuro marido.
M: - Vamos do começo… Um: eu já tenho namorado. Dois: você não faz meu tipo. Três: isso não é uma festa de formatura. É a festa de 15 anos da Maria de Fátima. O segredo da relação perfeita está na identificação de sua alma gêmea. Geralmente ela é loira, alta e tem um piercing no nariz. Pode também não ser nada disso. Não importa. O grande lance é perceber se essa alma combina com a sua, tem gostos iguais, beijo bom e, de preferência,um cabelo sem gel.

H: - Quer apostar que nós nascemos um pro outro?
M: - Ridículo… vou ficar com peso na consciência.
H: - Por que não tenta? Fala uma cor.
M: - Preto.
H: - A ausência de todas as cores… A minha preferida também.
M: - Que bobagem.
H: - Um filme?
M: - “101 Dálmatas”.
H: - O mesmo que o meu… Quer prova mais definitiva?
M: - Eu nunca vi esse filme na minha vida.
H: - Roubar não vale.
M - Que papinho mais furado… Se toca, eu não fui com a sua cara.
H: - Última chance. Fala uma música.
M: - Ai que saco… Qualquer uma do Daniel.
H: - Daniel? Tem certeza?
M: - Absoluta.
H: - Então você tem razão… minha mulher ideal não gosta de música sertaneja.
M: - É mesmo? E que som ela curte?
H: - Rock, alguma coisa de Jazz… dependendo do dia, MPB.
M: - O que tem de errado com Leandro e Leonardo, KLB, é o Tchan?

H: - Nada, só não é mulher pra mim. De qualquer forma, foi um prazer. Todo mundo erra. Quem nunca pensou ter encontrado o grande amor e depois descobriu que ele roncava, tinha caspa e não era muito chegado a banho no inverno? Se fosse fácil não teria graça. O importante é não desanimar, e não foi dessa vez, partir pra outra. Tente declamar seu poema predileto em praça pública e espere alguém completá-lo. Se ninguém se manifestar, saia correndo. Podem ter chamado a polícia.
M: - Espera.
H: - O que foi?
M: - Eu também gosto de MPB. Minha mãe ouve Chico Buarque o dia inteiro. Tecnicamente, se eu estou em casa, também ouço.
H: - Não sei… Acho que foi um engano.
M: - Como você pode saber?
H: - Olhando bem..você é mais alta do que eu imaginava. A mulher da minha vida tem 1,60 de altura. Foi um prazer.
M: - Espera, eu estou de salto. Olha só… fiquei mais baixa.
H: - Você não tem nada a ver comigo.
M: - Tenho sim.
H: - Que interesse repentino pela minha pessoa… Até um minuto atrás você queria que eu fosse embora.
M: - Também não sei o que me deu.
H: - Você tomou do meu whisky, foi isso?
M: - Não… quer dizer, não lembro.
H: - Cadê seu namorado?
M: - Está na minha frente, com uma coisa esquisita na camisa…
H: - Que nojo… o que mais você comeu, hein?
M: - Miojo, antes de sair de casa.

H: - Eu não posso ser seu namorado, você já tem um.
M: - Eu menti.
H: - Só pra me dar o fora? Conseguiu. Tchau.
M: - Volta aqui, meu amor. Pega uma vodka pra mim.
H: - Sai de perto de mim, sua louca.
M: - Só saio daqui casada.
H: - Socorro.
M: - Achei o homem da minha vida!

Luís Fernando Veríssimo.
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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Sempre falta algo.


Tudo aconteceu em um daqueles momentos que não se pode impedir da mente voar longe, sabe?
Sim, aqueles, talvez em um banco de ônibus, uma fila de banco longa, ou em meio a uma aula chata. É nessas horas que me vêem as melhores reflexões. Pena que termino as perdendo antes de poder anotar num bloquinho de papel pra reler mais tarde e até quem sabe, me fazer novas promeças, daquelas que fazemos por toda vida, na intenção de um futuro melhor, mas que exatamente na hora que deveríamos lembrá-las, elas se diluem no vento, votando mais tarde pra pesar a consciência.
 Hoje foi um dia cheio e vazio. Vazio, pra não perder o costume. E cheio de pensamentos desse tipo, de frases que mais pareciam feitas, que eu anotaria pra repassar aos meus filhos, mas na grande maioria, esqueci antes de chegar em casa.
Foi um dia cheio de filas e de ônibus. De vagar por ai, pelo nada, pela minha vida passada e tentando arrumar meu futuro duvidoso.
São tantas coisas que eu penso que poderiam melhorar, mudar, se encaixar e se acertar. Tanto que eu gostaria pra enfim dizer, estou feliz, sou feliz, ou sei la quanto tempo vou achar que vai durar aquilo. Mas foi aqui que me veio Um pensamento que nunca havia batido a porta da minha cuca antes, mas dessa vez, entrou, e foi dono de cada minuto do meu dia: Que felicidade?
Isso mesmo. Se paramos pra prensar, hoje afirmamos que já tivemos tempos melhores, mas no tal tempo melhor, que mais parece lenda urbanas, também achávamos que nem tudo estava assim tão bem. É natural do ser humano nunca se contentar com nada, mas termina sendo natural nunca SER feliz. Estar feliz é até fácil. Estar feliz numa noite de sábado tomando uma cerveja gelada com os amigos. Estar feliz quando se estar bem com o namorado. Estar feliz quando brinca com o cachorro no quintal. Mas e o SER feliz, cadê? Somos todos treinados a conforma-se com o fato de que nada dura, e isso até pode ser verdade. Mas o caos de tudo isso é que nunca conseguimos sentir-se feliz por longo prazo. Sempre falta algo. A busca é eterna, e infelizmente andamos em círculos. Quem tem muito, quer mais, e o mais nunca parece suficiente.
É uma faca de dois gumes. Querer o melhor é sempre bom, mas nunca sentir-se satisfeito te leva a viver uma eterna busca, uma eterna perda de presentes, uma perda de uma vida por algo que nem você mesmo sabe o que é.
E isso me deixou atordoada, pois é nessa inércia que eu vivo. Uma busca, que ainda não conseguir dar um nome, e talvez nunca consiga.

Sentido que não posso fazer nada para mudar uma existência, parei, senti o cheiro de gente e planta do ar, o cheiro de vida e o sol na pele. E tentei pensar por um minuto, que tudo está bem. Mesmo que as faltas doam volta e meia, e sempre doeram pois sempre existiram, naquele minuto, eu consegui viver o momento, sentir a vida na pele, e ser feliz...
Nos minutos seguintes, voltei a me perguntar pra onde caminho, e a me preocupar com o tempo que ainda terei de esperar pra que minha vida seja a vida que eu sempre quis. Talvez nunca chegue a ser.


sábado, 20 de novembro de 2010

A real efemeridade das relações irreais.


O significado real das coisas, diante da imensidão que é uma vida, é praticamente impossível de ser visto a olho nú!
As certezas são efêmeras, as verdades, diluíveis e multáveis com o soprar do vento e o toque do tempo. Se levarmos em consideração a proporção de minutos ou de vezes que respiramos, e do outro lado, uma vida, tendo como nota a velocidade com que as coisas mudam, e o tempo que temos e já tivemos, tudo é insignificante. A dores, as certezas, as paixões, as dificuldades e os temores...Tudo passa ferozmente depressa, independente do quando vivemos intensamente cada sensação ou não.

 Tudo se faz e desfaz. Em um piscar de olhos, se refaz. Um começo, um fim, ou melhor dizendo um eterno recomeço. A vida é cheia de ciclos, de fases, de altos e baixos. E nada, nada é grande o suficiente para que possamos eternizar.
Viver é como entrar em alto mar, aproveitar a sensação boa que as ondas proporcionam sem esquecer que nem tudo são flores e quando menos esperar, elas vão te derrubar. E ainda assim levantar, de preferência sorrindo, provando que apesar de forte, você é mais. Deixar a correnteza ir e vir, levar e trazer de volta até a margem. Cair e levantar. Ter medo, porem, enfrentar de peito aberto.
Cada minuto perdido com lamentações e temores desmedidos é um a menos para viver.
Pra que perguntar-se tanto sobre o por que de cada coisa que passou ou o rumo que tudo tomou se depois de tantos anos de experiência ja estamos carecas de saber que só vamos obter essa resposta quando a mesma não fizer mais uma diferença significativa para nós.
Viver é um eterno risco, uma eterna duvida, mas que diferença fará se eu ficar trancada procurando respostas ou se eu simplesmente dar de ombros e dizer "ah, deixa estar" e sair pra viver? Tudo só vem ou vai na hora certa. O que conquistamos de verdade, fica pra sempre. Está tudo escritinho de caneta, e nada do que se faça ou do que se sofra muda o rumo final da trajetória.
É preciso estar distraído. É preciso não esperar nada. É preciso viver para que as coisas aconteçam. É preciso, acima de tudo saber entender que amizades e paixões vem e vai, mas tudo, TUDO o que for sinceramente verdadeiro, perdura por uma eternidade.




domingo, 7 de novembro de 2010

o eterno mais ou menos

A verdade é que eu dizia muito por ai que estava tudo bem
Talvez eu tenha cansado de parecer repetitiva, dizer que tudo vai indo, “so-so”, aquele lance meio meia-boca, sabecomé? Tudo aquilo muito comum de ouvir da minha boca, sobre minha vida pouco interessante.
Então resolvi mudar o texto, e negar a verdade que era tão clara aqui dentro. Passei a dizer, great, melhor impossível, mas de fato soava mecânico e até irônico se fosse dito cara- a- cara.
Não sei se me acostumei a ser uma garota um tanto negativa, ou se é exigência da minha parte achar que nunca tudo está bem. Mas a grande realidade, é que sempre nos falta algo, e não é apenas por eu ser alguém complicadissima e chata pra caralh...caramba. É geral e comum não estar completamente satisfeito. É HUMANO.
 A verdade é que assim como eu, meu estado de espírito e todos os meus pensamentos, o meu bem ou mal estar também são de fase. Haviam dias que eu acordava até satisfeita, e feliz por conseguir não reclamar da sempre ausência de algo. Mas em outros...Sai de baixo. E eram nesses que doia mais. Doia forte. Era como se o vazio esmurrasse agonizante as paredes do meu coração pedindo atenção, pedindo urgente um pouco de ar. Mas infelizmente a minha busca pela solução deste problema parece eterna.
 Às vezes tenho medo de virar uma pessoa cada vez mais sozinha e incompleta a cada ano que passa. Dos não encontros e ausências se tornarem cada vez mais extensas e as soluções, distantes. Tenho medo, também, de me acostumar a viver assim, achando normal o vazio eterno, o faltar algo, e a busca torna-se cada dia mais desesperançosa.



O meu ultimo pingo de fé que tudo há de mudar um dia, breve ou não, deposito em Deus, e nas linhas tortas pelas quais ele escreve cada vida.
Pois sei bem, que cada rabisco, cada virgula e cada ponto que vejo hoje, só ha de ser traduzido por completo anos mais tarde.


E é essa fé que acalma meu coração, que me faz crer que o encaixe que substitui esse vazio persistente ainda estar por vir, e vale apena a espera tão sofrida e os altos e baixos da vida.

...Enquanto não vinha, eu vivia com o não estar bem. Com os desencontros e os dedos vazios.





terça-feira, 2 de novembro de 2010

Fechando a porta de entrada.


É...Tarefa difícil essa de entender as coisas, as pessoas, os sentimentos e sensações, a vida. De reconhecer de longe o cheiro de furada ou ter a certeza de que posso abrir a porta e deixar o odor doce entrar e tomar toda a minha casa.
Difícil conhecer as pessoas de verdade, esperar delas o exato, e não decepcionar-se.
Difícil, a certeza de que está fazendo o certo ou o errado, que os frutos do que se planta serão grandes e saborosos e que não iremos perder tempo ao tentar.

Eu tento domar minhas sensações, parar de dar passos em falso, perder tempo com o que não acrescenta e escolher a dedo o que entra e o que sai, mas o problema é que ainda assim, mesmo após pesar, pensar e analisar o que eu VEJO, que é também o que eu IMAGINO e não necessariamente condiz com a realidade, termino escolhendo meio as cegas, arriscando como sempre, a bater a porta na cara do que, no final, valeria a pena deixar sentar a sala de estar e oferecer um café bem quente pra começar e deixar morar. E às vezes, deixando entrar aquele ou aquilo que bagunça, tira tudo do lugar, e vai embora, sem nada deixar de mais, levando consigo muito mais só que ficou.

Cansada de errar, de arrumar toda a bagunça depois de cada festa alheia, decidi trancar tudo. Ficar sozinha por um tempo às vezes faz bem.



segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O novo. Eu nova.

Que necessidade imensa é essa que eu tenho tido de mudar tudo que me rodeia, e buscar o novo, mas não um novo qualquer, o novo que me faça nova. O novo que me acrescente algo verdadeiramente util, que mude minha vida em poucas palavras, atitudes, troca de experiência...
 Eu cansei desse monte de frivolidade que me rodeia, do nada pelo nada, do alguém por nada, sabe? De viver dia a dia, passo a passo sem que nada a mais fique no final do dia. Cansei. Ou você me acrescenta, ou não espera nada de mim. Se manda, que só o que é util ficará apartir de então.

O ciclo interminavel das dietas mal sucedidas


La vamos nós, mais uma vez, enfrentar com muito temor ela, a balança. Relutamos alguns segundos antes de colocar o primeiro pé, fechamos os olhos, tapamos a visibilidade dos ponteiros para que ninguém ao redor constate junto a você seu sobre- peso catastrófico (pelo menos é assim que vemos sempre), e sim, ali estão eles, os numerozinhos que não deviam estar, 2, 5, 8 quilos a mais, verdadeiros ou simplesmente psicológicos, independendo disso, é como um balde de água fria. Descemos da maldita  como se acabássemos de olhar nossa conta bancaria e descobríssemos que haviam roubado economias de uma vida, ou como se tivéssemos acabado de ver ali no visor uma foto do nosso namorado na cama com outra: Desesperadas, frustradas, destruídas interiormente - e com uma vontade incontrolável de destruir tudo, também.
 Na volta para casa após o trágico encontro com os números que não deviam existir, vamos nós escondendo, não queremos encontrar ninguém conhecido, para que o mesmo não comente pra todos os seus outros conhecidos o quanto você está obesa, feia e abatida. O resto do dia tende a ser assim, às escuras e triste.
 O que fazer dai pra frente normalmente depende de que dia da semana subimos na balança. Se for uma sexta-feira, por exemplo, provavelmente tiraremos o sábado e o domingo para nós “consolar”, comer tudo o que gostamos (ganhar mais uns desagradáveis excedentes) e começar a tal dieta na segunda-feira. Ai é que se instala o perigo. Essa promessa de que “hoje eu vou me despedir de tudo o que eu amo, e amanhã eu vou começar a despedida pelo corpo não-desejado” é um buraco sem fundo. Se paramos pra contar quantas vezes no mês fazemos, religiosamente, o mesmo procedimento, iríamos ficar tristes nos matar, provavelmente.
 Mas tudo bem, digamos que de fato começamos  na segunda-feira, e o dia parece iluminado. Acordamos com a disposição de um super-heroi, comemos folha e suco no café da manhã, mais folha no almoço, sopinha de verduras no jantar. No final da noite nós sentimos já mais magra, poderosa e linda. Fazemos mil planos da roupinha que vamos comprar quando diminuirmos de manequim. Do que vamos mudar juntamente com o corpo. Eu por exemplo, sempre mudo meu cabelo. É a tentativa de dar aquele tapa geral na auto- estima sequelada, sabecomé?
 O problema é que o primeiro dia de corte calóricos é muito bom, o segundo até que vai, mas a partir do terceiro, você já passa a ruminar pra conseguir engolir aquela quantidade excessiva de folhar, e tapa o nariz pra comer tanta coisa sem gosto algum. Normalmente é ai que começamos a sonhar com um pote de dois litros de sorvete, e nos piores dos casos que já passei, vi um top sunday dançando lambada com uma fatia de pizza gigante na beira da minha cama. Ainda prefiro acreditar que estava sonhando.
 Quinta-feira. Após 3 dias difíceis de cortes alimentar, se aproxima o temido fim de semana, inimigo de qualquer tentativa de reeducação de peso. Começam a aparecer os convites para os rodízios, cinemas, bares e todos esses inimigos mortais das gordinhas. Na maioria das vezes temos total consciência de que jogar a responsabilidade na força de vontade e ir, é uma corda no pescoço. Talvez prefiramos fingir que acreditamos mesmo que ela (a força de vontade) vai ser forte o suficiente e resistir a uma, duas ou três rodadas de petiscos suculentos na mesa de bar, a cervejinha e o refrigerante, e preferir o suco sem açúcar. Mas a verdade é que quase nunca acreditamos a fundo na sua capacidade, e vamos consciente de que a dieta re-começa na próxima segunda-feira, onde estaremos, provavelmente, com alguns quilos a mais do que na segunda passada.



  

sábado, 9 de outubro de 2010

Eu disse não ao amor.

Não que a vida tenha me tornado mais fria. Mas de certo modo, me deu varios meios de ligações até a mesma.
Não que eu seja gelida demais,o tempo...Os acontecimentos do caminho nem sempre facil de caminhar, levou consigo a minha paciência pras pessoas. Levou, também, os olhos que viam tudo mais tomantico e cor-de-rosa. Levou consigo, a menina que gostava de flores, presentes, encantos e amores. Deu fim, também, ao sonho do amar por amor, sem qualquer interferência de terceiros fatores, sem nem se importar se era comodo e valia de fato apena. Só se preocupando com o sorriso que radiava como nenhum outro, e ativava a minha felicidade quase que automaticamente. Levou consigo, o sentimentalismo demasiado, o sonho de casar e o felizes para sempre no final da historia. Levou comigo a paciência para o telefone, para a troca de satisfações, e a divisão de vida que hoje é tão minha, e só minha. Levou consigo o sorriso bobo que eu costumava dar quando um alguém que disparava meu coração, falava alguma coisa bonitinha-que hoje provavelmente acharia idiota.
Levou consigo a vontade de dividir-se. doar-se, apaixonar-se.
E quando eu sinto qualquer formigamento na barriga, parece caso de hospital, internamento urgente, UTI.
Coisa de outro mundo, sabe como é? De outra vida, outro seculo....

Não que eu tenha me tornado alguém fria, apenas, talvez, um pouco mais adulta.

Realmente é uma pena que seja tão triste crescer. E que pessoas grandes não saibam amar por amar.