"Ontem" estava eu pensando no que seria quando crescer, e não muito diferente das outras crianças de mesma idade, sempre respondia que queria ser veterinária, modelo ou grande. Sim, simplesmente grande.
Hoje, não muito grande (Recolho-me aos meus humildes 1.60 m) e muito menos veterinária ou modelo (recolho-me, também, ao meu sobrepeso freqüente e a minha repugnância por dietas), paro e penso, me dando conta de quanto tempo já se passou, e de como a vida bate a porta e não nos damos conta.
Vejo-me hoje mais perdida do que naquele tempo, que mal sabia o que dizia, mas pelo menos tinha mais de duas respostas para dar a tal pergunta.
Hoje, se me interrogam, Sôo frio, olho pro lado e procuro um bom motivo para mudar o assunto. Belo modo de fugir do assunto que mais me angustia no memento: Futuro.
Quando não tenho como escapar, fica claro a minha relutância e angustia sobre a questão, e sempre ouço, talvez numa tentativa de consolo do "entrevistador", alguma frase quase decorada similar a "você ainda é muito jovem. Tem muito tempo pela frente."
Será? No tempo que eu sonhava em ser astronauta (modelo, veterinária ou grande) talvez tal afirmação me soasse mais sincera, mas agora, com meus 22 anos e mais de meio, não tenho tanta convicção de que ainda resta tanto tempo assim a ser desperdiçado.
Não suporto a idéia de sentar e esperar as coisas acontecerem, a vida me levar e as respostas serem deixadas em baixo da minha porta embrulhadas para presente, mas oras, o que mais posso fazer? Busco todo dia uma satisfação verdadeira em cada passo, e não acho. Talvez ainda esteja longe do que vai ser verdadeiramente “EU”, mas enquanto não ouço meu subconsciente gritar “ ta quente!", sigo assim, meio as cegas, procurando em cada rua que passo o melhor lugar pra se caminhar pra próxima esquina.