Talvez eu esteja deixando a vida escorrer lentamente, sem nada fazer para impedir que os dias passem rápido demais, e as oportunidades sigam o mesmo curso deste rio.
Os dias são cada vez mais curtos e as semanas, cada mês mais iguais. Seguir rotina sempre me soava entediante, mas de uns tempos pra cá, parece ter virado meu passa-tempo favorito.
Às vezes me incomoda perceber o quanto não me chateia mais ver passar e entrar semana e simplesmente não ter tempo para mais nada do que antes eu não dispensava. Sexta e sábado pra mim, já deixou de ser dia de procurar um bom programa pro fim de semana. Ultimamente, sei bem qual será, e é exatamente este que estou a fazer agora... Ficar em casa sozinha, escrever, ler, desperdiçar horas na frente do computador, e depois de exausta, dormir.
Não existe mais aquela alegria quando vejo a quinta se anuciar, e nem mesmo a tristeza pela segunda bater a porta, por estar longe demais da sexta. Tanto faz. São todos dias iguais, todas semanas idênticas, ou até meses quem sabe. Troquei meus amigos por livros. A cerveja gelada e a mesa de bar, pelo leite quente e a mesinha de cabeceira. A única coisa que me deixa ébria agora é o sono e o cansaço. Telefone, ultimamente, só tem me servido para marcar medico. E a falta de vaidade é tão demasiada que as unhas não crescem mais do que o comprimento suficiente para serem roídas, cuidadosamente e vagarosamente. Aproposito, esse vicio anteriormente superado, voltou a ser uma outra opção de distração.
Me assusta perceber o quanto eu me torno a cada dia uma pessoa mais viciada em solidão, e pior, o quanto não me importo - ou até gosto- de estar assim.