Oque explica o desencontro cruel de dois corpos que se encontram em uma mesma dança, mas giram pra lados diferentes. E a cada vez que retornam, seus pés soam em ritmos distintos. E nas mãos que se tocam, se chocam. Em um passo, um sai ferido, no próximo, fere.
Que ciranda é essa que dançamos? Que final feliz promete um encontro onde o ritmo e o compasso é individual e cada giro indica que é a vez de passar o encanto, e receber o desencanto?
O que eu poderia prometer-te, se já sabe muito bem que quando falo que me fazes bem, é somente para ver teu sorriso, fingindo que acredita, me responder que está tudo bem, e que vamos muito além, com sua cara de quem quer convencer, mas sabe que eu sei que não sabe mentir pra mim.
Qual o tempo de vida de um “amor” sem promessa, que sobrevive somente da falta de amarras e planos futuros, além do que vamos fazer no próximo sábado à noite.
A musica acabou. Meus pés não agüentam mais o peso dos sapatos cansados de tentar seguir seus passos. Busquemos outro par.