segunda-feira, 19 de julho de 2010

Fogo e gasolina não vivem em comum acordo para sempre.

Eu não sei ao certo o que acontece, só sei que acontece. Me questiono sobre onde começa aquela fase instável e malévola que nossa amizade termina sempre por entrar depois de passar por um tempo bom onde tudo são flores e amores. Só percebo que está tudo mudando (e não é para melhor), mais uma vez, quando já estamos a beira do ataque de nervos, pensando consigo, que fossemos namoradas, era a triste hora de pedir um tempo pra pensar, ficar só, esfriar a cabeça. Mas não, trata-se de amizade, e sendo assim as coisas são bem mais complexas.
Não queremos tempo, pois não cogito, nessa vida, a possibilidade de botar um fim em tudo que construímos. Mas todavia, chega uma hora que não sei se quero seguir em frente. Não existe reza braba neste mundo que faça com que eu ela, que apesar dos pesares, posso nomear como minha melhor amiga, passemos muito tempo próximas sem nos estranharmos (relevando as frequentes faíscas). Talvez sejamos demasiadamente parecidas, ou diferentes, ou um pouco de cada um, só que do jeito equivocado. Gênios fortes, por exemplo, se colocados lado a lado, pegam fogo. E é bem isso que ocorre sempre em um curto espaço de tempo.
Odeio o jeito que ela se porta, que ela fala, que ela MANDA, poderia assim definir melhor. A mesma diz que falando parece, muitas vezes, estar brigando, e é exatamente isso que ocorre. O timbre de sua voz é sempre de uma irritante autoridade, e fica pior quando de fato ela está brigando ou simplesmente seu humor não está dos melhores. Esse tom que ela usa, particulamente, me da nos nervos. Tenho freqüentes vontades quase incontroláveis de mandá-la pro inferno, de desligar o celular e tira-la de perto por no mínimo 15 anos dias.
O que eu não gostaria de mencionar, mas preciso, é que talvez sejamos muito levemente parecidas nisso e em algumas coisas mais. Sei bem que muitas vezes sou de veras autoritária, braba e grossa. E o problema gira em torno disso: Semelhanças demais em tópicos errôneos. Fogo e gasolina, é como poderia definir duas pessoas com gênios fortes e pouca paciência tentando convivendo. E cedo ou tarde, pega fogo.
Seja qual for o motivo mais plausível que explique tal relação, o que importa é que em tempos e tempos, precisamos de um tempo longe. O tempo bastante para, quem sabe, esfriar a cabeça, sentir falta, e achar que a distância não vale apena e que todas as diferenças e magoas são pequenas demais diante da dimensão do que construímos em meio aos 7 anos de amizade.
Entretanto, neste momento, meu abuso é superior a qualquer vontade de acertas as coisas. Sei bem que se trata, como sempre, de mais um mal entendido, erro de entonação, falta de clareza no modo de expressar-se, mas não me sobra créditos no meu limite de passividade, não por enquanto. Não me sobra pavio o bastante para tentar esclarecer algo, diante da impassividade e arrogância, que bem sei, jamais posso esperar que seja mudada. Quero mais é ficar sozinha por um tempo, e não ser obrigada a ouvir aquele tom de voz que me tira do serio até achar que já posso novamente lidar com ele, por mais um curto tempo, pelo menos.